Perfil médico

Bate-papo com o Dr. Mucio

Especialista em insuficiência cardíaca, o Dr. Mucio Tavares de Oliveira Jr. veio reforçar o time de cardiologistas do Americas, profissionais que são homenageados com uma data especial, o dia 14 de agosto, dia do cardiologista. 

O Dr. Mucio Tavares de Oliveira Jr. assumiu em julho a coordenação da Unidade de Insuficiência Cardíaca do Hospital Samaritano Paulista, trazendo para o Americas a sólida bagagem construída ao longo de sua trajetória profissional.

Formado pela Universidade de Santo Amaro, fez especialização e doutorado no Incor, instituição onde também coordenou uma enfermaria de insuficiência cardíaca, foi o diretor do pronto-socorro e estruturou o hospital dia, unidade da qual ainda é diretor, função que também desempenha à frente do centro de infusão do mesmo hospital. É professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Programa de Insuficiência Cardíaca da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). No campo da pesquisa, destacam-se os estudos sobre Aumento Rápido da Dose do Betabloqueador, que recebeu o prêmio de melhor trabalho do congresso da Socesp, e um estudo internacional sobre vasodilatação em pacientes com insuficiência cardíaca aguda descompensada, publicado no American Journal of Medicine.

Nesta entrevista, o Dr. Mucio fala um pouco sobre sua carreira, seus novos desafios no Americas e também sobre atividades que curte nas horas de folga, entre elas uma bastante curiosa: consertar objetos domésticos.  Confira.

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Dr. Mucio Tavares de Oliveira Jr., médico da Rede Americas

O que o motivou a cursar medicina e escolher a cardiologia?

A medicina foi um desejo espontâneo desde criança, que se manteve ao longo dos anos. Já a escolha da cardiologia foi em razão do dinamismo da área, que florescia com muitas novidades e descobertas na época da minha graduação. 

Dentre suas realizações, o que destacaria?

Há vários fatos marcantes, entre eles a conclusão do meu doutorado sobre fatores diagnósticos na internação por insuficiência cardíaca, que foi muito trabalhoso; a experiência no comando da enfermaria de insuficiência cardíaca e do pronto-socorro do Incor; e a participação, ao lado de pesquisadores europeus, de uma confraria chamada Great (Global Research on Acute Conditions), que desenvolve estudos importantes na área de cardiologia. Recentemente, eu e mais dois colegas criamos o treinamento para médicos sobre suporte avançado de vida para insuficiência cardíaca aguda em paciente internado (o SAVIC) e ambulatorial (o SAVIC consultório), que tem sido adotado em diversas instituições daqui e do exterior, entre elas a Universidade Wake Forest, da Carolina do Norte; a Sociedade Portuguesa de Cardiologia e a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

O que o levou a aceitar o convite para atuar no Americas?

Fui atraído pelo projeto de insuficiência cardíaca. Fiquei impressionado com a eficiência dos protocolos, as metas de excelência em qualidade e segurança do paciente, a competência dos profissionais e a estrutura bem alinhada, que não desperdiça recursos.

O que considera essencial no relacionamento com os pacientes?

Na cardiologia, é fundamental ter disponibilidade para atender urgências. São casos que não podem aguardar até o dia seguinte. A empatia também é muito importante, é preciso considerar que o paciente tem medos e muita dificuldade para entender nossa linguagem.

Quais são os avanços importantes na sua especialidade?

A angioplastia, em substituição à cirurgia cardíaca aberta, trouxe um enorme ganho, assim como os stents e, atualmente, o implante de válvula por cateter (TAVI), que permitiu tratar pacientes antes sem alternativa terapêutica. Os medicamentos surgidos nos últimos 30 anos são importantíssimos, como os de controle do colesterol e hipertensão, que reduzem o risco cardíaco, e as drogas para dissolução de coágulo nos infartos. Na insuficiência cardíaca, a evolução foi exponencial. Nos anos 1980, era algo como tratar câncer com analgésico, mas, a partir da década seguinte, surgiram muitos medicamentos para controle da doença e melhora da sobrevida dos pacientes. E novas drogas virão, pois ainda existe espaço para muitos avanços. Um desafio importante é ampliar o acesso aos recursos a mais e mais pessoas.

Como avalia a carreira médica atualmente?

Tivemos um grande aumento do número de profissionais, o que reduziu o glamour da profissão e mudou o mercado. Não foi para melhor ou pior, apenas mudou.  Acho que o maior desafio de um médico atualmente é definir o rumo de sua carreira diante de uma gama enorme de possibilidades.

Que conselho daria a um estudante de medicina?

Estude muito, porque aprendemos por repetição. O médico muitas vezes necessita tomar decisões sobre a vida das pessoas em segundos, então precisa ter todas as informações na cabeça. Mesmo em uma consulta, é preciso ter respostas assertivas e rápidas.

Como concilia a carreira com a vida familiar?

A conciliação é sempre difícil. Mas sou casado com uma médica endocrinologista, o que ajudou na compreensão dos horários e estilo de vida. Tenho dois filhos já adultos, com 32 e 28 anos, que seguiram carreiras diferentes, um na área de finanças e outro em marketing, ambos muito bem-sucedidos.

Se não fosse médico, o que gostaria de ter sido?

Nunca pensei em outra carreira. Sempre foi medicina.

Qual a característica mais admira em uma pessoa?

Honestidade e educação, no sentido de cordialidade.

Qual qualidade própria mais valoriza?

Como minha secretária definiu, é a responsabilidade. Sou bem responsável, não consigo “deixar pra lá”.

Tem algum ídolo, alguma pessoa que admira muito?

Duas pessoas são símbolos e inspirações na cardiologia: o prof. Fulvio Pileggi, um profissional enérgico e com imensa visão sistêmica, e o prof. Adib Jatene, com quem também tive oportunidade de trabalhar. Os dois eram, de fato, pessoas geniais no que faziam.

O que gosta de fazer nas horas de folga?

Vou muito para São Sebastião da Gama, cidade serrana no interior de São Paulo onde tenho meu refúgio para relaxar. Também curto fotografia e gostaria de me dedicar mais. Outro prazer é consertar coisas. Tenho oficinas equipadas tanto na casa de São Paulo como na do interior. Tudo que quebra passa primeiro por mim: metade eu resolvo e o restante vai para a assistência técnica. Também faço restauração de peças antigas e monto pequenos móveis, mas neste último campo não sou muito bom. Diria que meu negócio é consertar pessoas e coisas. 

Gosta de viajar?

Sempre vou para a Europa, onde há regiões maravilhosas, como Cascais, em Portugal, um lugar mágico, onde gostaria de morar se saísse do Brasil. Gosto de toda a Europa: Grã-Bretanha, França, Alemanha...

Tem alguma curiosidade da vida pessoal ou profissional que gostaria de compartilhar?

Tenho muito interesse em história da arte e pretendo me aprofundar futuramente. Também sempre quis aprender a tocar algum instrumento. Tentei violão, mas sou péssimo, uma frustração.

Qual sua principal meta no Americas?

Minha grande meta é ajudar na construção de um robusto serviço de excelência no Samaritano Paulista e que ele seja expandido para toda a Rede Americas, tornando-a uma forte referência no tratamento dessa enfermidade. 

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