Hipertensão

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão

Crescimento do número de casos aumenta a importância de chamar a atenção para os riscos associados à doença e a importância de monitorar e manter sob controle a pressão arterial. Alerta vale também para os profissionais de saúde.

Doença que se agrava silenciosamente e que pode desencadear problemas graves, como aterosclerose, infarto e AVC, a hipertensão afeta um número crescente de brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) divulgada pelo IBGE em 2019, 23,9% (38,1 milhões) das pessoas com 18 anos ou mais tinham hipertensão, índice 2,5 pontos percentuais superior ao registrado na avaliação anterior, de 2013. Esses indicadores mostram a importância de colocar o tema em destaque e conscientizar a população sobre a importância de aferir regularmente a pressão, buscar tratamento quando necessário e adotar um estilo de vida mais saudável. São justamente esses os objetivos de uma data de saúde dedicado ao assunto: o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril. O indivíduo se beneficia evitando a doença ou cuidando para mantê-la sob controle, e o sistema de saúde também, com menos ocorrências graves e custos associados.

Segundo o Dr. Antonio Baruzzi, cardiologista do Hospital Samaritano Paulista e coordenador da Residência Médica em Cardiologia do UnitedHealth Group Brasil (UHG Brasil), o aumento dos casos de hipertensão pode ser explicado em parte pela intensificação da exposição a fatores de risco, como alimentação inadequada (principalmente ingestão excessiva de sal), obesidade, tabagismo, consumo de álcool e estresse, todos potenciais alavancadores da pressão elevada primária. “São hábitos inadequados que, se corrigidos, poderiam reverter o quadro, muitas vezes até sem medicação”, afirma o Dr. Valter Furlan, diretor técnico do Samaritano Paulista e head do SoE de Cardiologia e Cirurgia Vascular UHG. Em apenas 5% dos casos a hipertensão é secundária, associada a outros problemas de saúde, como disfunção da tireoide, tumores suprarrenais e insuficiência renal.

Também contribui para a elevação dos índices o envelhecimento da população, já que a idade é um fator natural para o aumento de pressão. A PNS apontou que 62,1% das pessoas com 75 anos ou mais eram hipertensas. “A subida da pressão é progressiva: quanto mais idade, maior a incidência de hipertensão. Já em crianças e adolescentes a hipertensão é rara e costuma ser causada por outras doenças”, afirma o Dr. Baruzzi. “As mulheres, que tendem a ter índice menor, estão atualmente tão hipertensas quanto os homens, o que se deve ao aumento de exposição aos fatores ambientais e sociais”, observa ele.

Alerta também para os médicos

O alerta para a importância de monitorar e controlar a pressão não vale apenas para os pacientes. Muitas vezes, em meio à rotina corrida e muitas demandas profissionais, até os médicos acabam descuidando da própria pressão. O Dr. Baruzzi cita como exemplo o ocorrido em um Congresso da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) realizado pouco antes da pandemia. Uma blitz de aferição da pressão de 50 médicos detectou que 20% deles estavam hipertensos, surpreendendo muitos que não tinham ciência da condição. “Imagino que, atualmente, sob a intensa exigência e pressão no contexto da pandemia, esse índice deva ter aumentado”, avalia.

Para o Dr. Furlan, o cuidado dos médicos e profissionais da saúde com a própria saúde tem de ser prioridade. “Para cuidar bem dos outros, eles precisam estar nas melhores condições. É algo semelhante às orientações que recebemos no avião: em caso emergência, coloque sua máscara de oxigênio antes de ajudar outros. Se você desmaiar, não vai conseguir ajudar outros”, comenta ele.

A pandemia pode agravar ainda mais o cenário, seja entre profissionais de saúde, que vêm enfrentando condições extremas, seja para a população em geral. “A hipertensão está profundamente ligada ao estilo de vida, que foi alterado para todos. Sedentarismo, estresse e alimentação desequilibrada, com ingestão de muitos alimentos processados e ricos em sódio, aumentaram durante o período e podem impactar condições de saúde. Ainda não temos estudos que comprovem, mas é possível que exista um aumento de casos”, reflete o Dr. Furlan. Vale lembrar, ainda, que a hipertensão é um dos fatores de risco para complicações em pacientes com COVID-19.

O Dr. Baruzzi lembra que, além dos riscos cardiovasculares, o aumento da pressão por longos períodos sem tratamento prejudica o funcionamento dos rins, causando nefropatia hipertensaiva, que pode culminar com doença renal crônica.

Diferentes classes de medicamentos estão disponíveis, com resultados eficientes e, se somados à mudança de hábitos, trazem um controle satisfatório, estabilizando os níveis de pressão na grande parcela dos casos. “O problema é que muitos desconhecem serem hipertensos ou acabam descobrindo tarde demais, quando os males consequentes já se manifestaram”, diz o Dr. Baruzzi.  

Isso poderia mudar se as pessoas criassem o hábito de medir a pressão em um consultório médico ao menos uma vez por ano. “Faltam campanhas governamentais que eduquem a população”, opina o Dr. Furlan. “As mulheres, por exemplo, morrem mais de doença cardiovasculares do que de câncer de mama. É fundamental que sejam alertadas sobre prevenção e os riscos desses males ”, acrescenta. Segundo ele, até os ginecologistas poderiam contribuir, adotando a prática de medir a pressão de suas pacientes, ajudando-as a ter mais consciência sobre sua saúde cardiovascular e procurar um especialista antes de o problema se agravar.  “O fato é que cabe a todos nós médicos, independentemente da especialidade, promover essa prática e incluir na rotina das consultas a medição da pressão dos pacientes”, reforça o Dr. Baruzzi. “E também não podemos esquecer de medir nossa própria pressão”, completa ele.  

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