Pandemia

Pandemia impacta as cirurgias de ponte de safena

É o que mostra estudo multicêntrico que contou com a participação de médicos da rede Americas. Artigo foi publicado no Journal of Cardiac Surgery.

Os reflexos negativos da pandemia da Covid-19 no campo na cirurgia de revascularização do miocárdio são tema do artigo The arrival of COVID-19 in Brazil and the impact on coronary artery bypass surgery, publicado na edição de junho do Journal of Cardiac Surgery. O assunto é extremamente relevante, uma vez que a ponte de safena é a cirurgia cardíaca mais realizada em adultos no Brasil e no mundo.

“Estávamos interessados em saber qual foi o impacto dessa crise sanitária no volume de procedimentos realizados e na mortalidade dos pacientes cirúrgicos, infectados ou não pelo coronavírus”, conta Dr. Omar Mejía, cirurgião torácico e cardiovascular do Samaritano Paulista, chefe do serviço de Cirurgia Cardiovascular do Cardiologia Americas e primeiro autor do artigo. Entre os demais autores, está outro cardiologista do hospital e do Sistema de Excelência, o Dr. Pedro Barros.

O trabalho é fruto de um estudo multicêntrico que comparou o conjunto de cirurgias de ponte de safena realizadas em seis hospitais do estado de São Paulo entre março e maio de 2019 (ou seja, antes da pandemia) e entre março e maio de 2020, logo após a eclosão da doença no país. Observou-se uma expressiva queda de volume: nesses três meses em 2019 foram realizados 468 procedimentos e apenas 182 no mesmo período do ano seguinte.

“Verificamos que a pandemia teve um impacto adverso não apenas nos volumes, mas também na mortalidade e morbidade dos pacientes submetidos à revascularização do miocárdio”, resume o Dr. Omar. Em pacientes com diagnóstico de Covid, o índice de mortalidade foi de 47%, reproduzindo os patamares elevados observados em outras partes do mundo.

Segundo ele, mesmo os pacientes cirúrgicos não infectados pelo coronavírus foram impactados, uma vez que muitos, por adiarem a ida ao médico, chegaram aos hospitais com estágios mais agravados da doença. Outra hipótese a ser considerada é o fato de os serviços hospitalares terem sido afetados pela falta profissionais, como intensivistas e enfermeiros.

Em linhas gerais, o trabalho documenta, a partir de dados científicos, como a Cardiologia, uma área estratégica da Medicina, foi afetada pela pandemia, além de fornecer elementos para o futuro planejamento diante de novas crises na saúde. E, apesar de esta pandemia não ter terminado, o Dr. Omar faz um alerta: “agora, com maior conhecimento sobre a doença, fluxos bem estabelecidos dentro dos hospitais e a vacinação em massa em curso, não há mais motivos para os pacientes adiarem a ida ao cardiologista”.

Confira o artigo na íntegra acessando https://doi.org/10.1111/jocs.15712.

Americas Serviços Médicos
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