Sedentarismo

Sedentarismo vs. Saúde

Fundamental para a saúde e prevenção da obesidade e de vários doenças, a prática de atividades físicas tornou-se ainda mais irregular e escassa durante a pandemia.

Com boas razões, a Organização da Saúde (OMS) criou uma data para destacar e conscientizar as pessoas sobre a importância da prática de atividades físicas. É o Dia Mundial de Combate ao Sedentarismo, celebrado em 10 de março. A data ganha um significado ainda mais especial nestes tempos de pandemia, em que o isolamento social e uma série de restrições acabaram levando para o time de sedentários até quem tinha as atividades físicas em sua rotina.

“O sedentarismo é um fator de risco crescente. Atualmente há uma epidemia perigosa de falta de exercícios”, afirma o cardiologista Dr. Enéas Rocco, coordenador do programa de Reabilitação Cardiopulmonar do Hospital Samaritano Paulista. “Nossa vida hoje é um verdadeiro ímã para o sedentarismo. Trabalho domiciliar, comodidades diversas e pouco tempo disponível são condições que trarão um alto custo para a saúde no futuro”, destaca o Dr. Antônio Baruzzi, cardiologista do Samaritano Paulista e coordenador de Residência Médica.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2019 e divulgada em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60,3% da população adulta estava acima do peso. O percentual de obesos entre pessoas com 20 anos ou mais passou de 12,2% na pesquisa anterior (2002/2003) para 26,8%.

Associadas ao sedentarismo, uma série de condições, como obesidade, diabetes e hipertensão, entre outras, favorecem principalmente as doenças coronarianas, cardiovasculares e cerebrovasculares (principais causas de óbitos no mundo) e as vasculares periféricas dos membros inferiores, além de aumentar o risco para vários tipos de câncer e para a depressão. “A associação de fatores como o sedentarismo, os maus hábitos alimentares e o estresse psicológico promove uma inflamação sistêmica que está associada à aterogênese”, afirma o Dr. Enéas.

A prática de atividade física também contribui para a saúde mental, fazendo com que o cérebro libere endorfina e outras substâncias que proporcionam sensação de bem-estar, ajudando na redução do estresse e ansiedade.

Um mal também entre as crianças

Seja pela atração das atividades online, falta de segurança ou locais adequados para as brincadeiras de gerações passadas, as crianças estão na mesma perigosa trilha, com sua saúde em risco por sedentarismo e obesidade, que, segundo estimativas, pode afetar mais de 10 milhões de crianças em menos de uma década no Brasil.

Atualmente já há crianças com diabetes, hipertensão e colesterol elevado, com alta tendência de manterem esses problemas na fase adulta. “A falta de atividade física também pode causar prejuízos motores e gerar problemas nas articulações ao longo da vida, além de dificuldade de socialização”, observa o Dr. Enéas.

O quadro de sedentarismo se acentuou durante a pandemia, que fez com que adultos, jovens e crianças reduzissem drasticamente o nível de atividade física. “Criou-se uma armadilha da qual será difícil o resgate. Muitos não voltarão às rotinas de exercício”, lamenta o Dr. Baruzzi.

Exercícios: aliados na reabilitação de pacientes no Samaritano Paulista

A prática de exercícios é também um fator importante no processo de recuperação de pacientes, sempre sob orientação e supervisão de especialistas. As atividades do Centro de Reabilitação Cardiopulmonar do Samaritano Paulista são um exemplo. “Após a alta médica, os pacientes tratados de problemas como infarto e insuficiência cardíaca, entre outros, são encaminhados ao Centro, onde é traçado um plano personalizado para recuperação da condição funcional do indivíduo e que serve de base para um novo estilo de vida”, descreve o Dr. Enéas.

A equipe multidisciplinar inclui fisiatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e professores de educação física. Instalado em uma área de mais de 1.000 m2, o Centro dispõe de uma completa e moderna infraestrutura: dois ginásios, duas piscinas para hidroterapia, uma casa para terapia ocupacional e equipamentos, como bicicletas subaquáticas, esteiras de última geração, robôs para reabilitação de marcha e membros superiores e mecanismo de suspensão para pacientes com limitação de mobilidade.

Durante a pandemia, as atividades continuaram online, com a grata surpresa de envolver também familiares do paciente, que pediram para participar e tiveram um plano próprio traçado.

Desafio da conscientização

Para reverter o cenário de sedentarismo, é fundamental investir em conscientização e no estímulo a mudanças no estilo de vida é fundamental. Governos, empresas e organizações do setor de saúde, médicos e demais profissionais da área podem colaborar para promover uma cultura de prevenção em saúde. O convencimento não é fácil e passa pela informação dos males que o sedentarismo pode causar e dos benefícios do exercício. “É importante que as pessoas saibam que estudos comprovaram que a atividade física reduz a incidência de infarto, AVC, depressão e até câncer de mama”, diz o Dr. Enéas. “É um desafio estimular as pessoas a praticarem atividades. Não existe fórmula. Nós, médicos, temos de ser criativos e sugerir o que pode ser incluído na rotina de cada um”, completa o Dr. Baruzzi.

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