Imagem mostra de um lado uma tigela com óleo e do outro um conjunto de vários pães.

Carboidratos - e não as gorduras - são os verdadeiros vilões da alimentação

18/10/2017 - 2 minutos de leitura

Pelo menos, é o que diz um novo estudo consistente, publicado no renomado periódico científico The Lancet.

Uma pesquisa realizada por sete anos, em 18 países — inclusive o Brasil — , com mais de 135 mil adultos e idosos, acaba de eximir um pouco as gorduras da culpa pelo risco de morte prematura. O que se descobriu foi que os carboidratos, especialmente os refinados e processados, seriam os legítimos algozes da saúde.

Publicado no jornal The Lancet e apresentado recentemente no Congresso Europeu de Cardiologia, o estudo associou uma dieta com cerca de 77% de carboidratos a uma probabilidade 28% maior de morte precoce, em comparação com as refeições que têm apenas 13%.

Para chegar à constatação, os cientistas se basearam em questionários sobre os padrões de ingestão de gorduras, proteínas e carboidratos, preenchidos pelos participantes. Depois, estabeleceram uma relação entre o consumo de cada um desses nutrientes e a ocorrência de mortalidade por causas gerais e por fatores cardiovasculares (como infarto, AVC e outros males cardíacos). Carboidratos em excesso parecem elevar as taxas de mortalidade total e por causas não relacionadas a doenças do coração.

Surpreendentemente, os resultados relacionados às gorduras vieram para quebrar o paradigma de que elas são inimigas das artérias. Contrariando o senso comum, uma inclusão significativa de alimentos gordurosos na dieta impactou em um risco mais baixo de mortalidade. E a gordura saturada (aquela das carnes vermelhas), especificamente, diminuiu o risco de AVC.

As diretrizes globais estabelecem que os carboidratos devem representar de 50% a 65% das calorias diárias e recomendam que menos de 10% correspondam a gorduras saturadas. A nova pesquisa, em contrapartida, sugere que os carboidratos se limitem a 55% e que as gorduras saturadas e insaturadas componham 35% da alimentação.

Vale deixar claro que isso não se aplica às gorduras trans, normalmente presentes em biscoitos e outros produtos industrializados. Frutas, vegetais e leguminosas continuam sendo as vedetes da nutrição.

Fonte: Luciana Perdiz, nutricionista do Hospital Samaritano - Unidade Botafogo (RJ).

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