Imagem ilustrativa de frutas formando um coração.

Comida: mais que nutrição, é o sabor do cuidado

25/02/2019 - 2 minutos de leitura

Algumas vezes, os tratamentos de quimioterapia e radioterapia provocam tanto mal-estar que comer é quase uma missão impossível para o paciente. Sintomas como falta de paladar, gosto metálico ou sensação de mastigar palha são algumas queixas que podem fazer com que ele rejeite a comida. Porém, é nesse momento também que o familiar mais se preocupa em alimentá-lo. Esse contexto é comum em muitas famílias e, não raro, pode causar frustração tanto de quem cuida quanto de quem é cuidado. Mas como resolver esse conflito?

A comida sempre está atrelada a questões sociais e emocionais. Por isso, no momento em que os sintomas estiverem aguçados, o mais importante é oferecer aquela “comidinha” que tem um sentido especial ou uma história para o paciente; isso pode encantá-lo e despertar nele a vontade de comer “um pouquinho mais”.

Mas lembre-se que o paciente, que está sem fome, sem paladar e, por vezes, enjoado, ao ver uma mesa farta, um copo cheio de água, ou um prato cheio de comida, tende a rejeitar o que está sendo oferecido. Isso também pode gerar conflitos. Por um lado, o paciente se frustra por não conseguir atender as expectativas da família; por outro, a família sofre de ansiedade por ver o paciente sem comer.

Seguem algumas dicas para alimentar o paciente e reduzir os danos do impacto emocional de ele não poder comer de modo satisfatório e “normal” devido aos efeitos colaterais provocados pelos tratamentos:

  • 1. Dê preferência ao que o paciente gosta de comer;
  • 2. Sempre que possível, coloque o paciente sentado à mesa para fazer as refeições e na companhia de alguém;
  • 3. Sempre ofereça pequenas porções, conforme aceitação do paciente;
  • 4. Sempre que possível, varie ao máximo o tipo de comida;
  • 5. Reduza o intervalo entre as refeições, pode ser de 2 em 2 horas, ou a cada hora, conforme aceitação do paciente;
  • 6. Insista um pouquinho só, mas não force o paciente a comer tudo;
  • 7. Esteja disponível e incentive a alimentação na hora certa. Ou seja, não ofereça comida o tempo todo;
  • 8. Não faça mudanças radicais na alimentação (principalmente de idosos);
  • 9. Não faça restrições rigorosas na alimentação (principalmente de idosos), exceto se for necessário para controle de algum sintoma ou se previsto no tratamento.
  • 10. Não faça ameaças ou chantagem emocional, pois isso piora o estado emocional do paciente.
Imagem da Mônica Benarroz - Nutricionista do Americas Oncologia.
Nutricionista Mônica Benarroz

Americas Oncologia