Imagem de uma moça com lenço na cabeça segurando uma folha com gráficos e os explicando para outra pessoa.

Como conciliar a vida profissional com o tratamento do câncer

13/07/2018 - 3 minutos de leitura

Conhecer seus direitos, repensar valores e prioridades, além de estabelecer um plano para enfrentar dificuldades relacionadas ao tratamento oncológico, podem ajudar o paciente a lidar com a doença de forma resiliente

Embora o impacto do câncer na vida profissional seja inquestionável, é possível recorrer a estratégias que ajudem a encarar a doença com mais leveza. O coaching oncológico e a psico-oncologia, por exemplo, dão suporte diante do choque da notícia, da perda da autoestima, da insegurança associada aos efeitos colaterais dos tratamentos e das preocupações profissionais. “Receber um diagnóstico de câncer pode engatilhar um processo de desorganização no dia a dia do paciente, com repercussões que variam de acordo com características individuais. Um fato é inquestionável: a rotina é alterada, significativamente, devido à necessidade de dedicar tempo a consultas e sessões terapêuticas frequentes”, contextualiza Ricardo Costa Lima, responsável pelo serviço de coaching oncológico do Hospital Paulistano (SP).

“Por isso, em um primeiro momento, é normal que boa parte das pessoas sinta necessidade de se afastar do trabalho para passar mais tempo com a família e os amigos, dedicando-se a atividades das quais costumava abrir mão, por conta das obrigações profissionais”, justifica o coach. Além disso, os procedimentos terapêuticos podem trazer efeitos colaterais, como a fadiga, o que também impõe limitações.

“Obviamente, isso não é uma regra e alguns pacientes continuam trabalhando, pois se consideram empoderados para exercer suas funções. De uma forma ou de outra, é preciso se permitir desacelerar”, podera Ricardo.

Direitos do paciente
Caso ele seja funcionário de uma empresa, com registro na Carteira de Trabalho, é importante que conheça os seus direitos, já que é provável que tenha de se ausentar por alguns períodos.

Se ficar incapacitado de trabalhar por mais de 15 dias, o indivíduo terá direito ao auxílio doença, benefício mensal garantido aos trabalhadores segurados pelo INSS (Previdência Social).

Outro receio comum é o de ser demitido após a recuperação. Então, vale saber que tramita, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei 14.2017, que pretende garantir a estabilidade no emprego, ao trabalhador com câncer, após o término do tratamento.

Via de regra, uma boa conversa é sempre o caminho mais prudente. Explique a situação ao seu gestor e ao RH da empresa, esclarecendo as perspectivas de tratamento e recuperação. Vale negociar um esquema de home office, carga horária reduzida ou mudança de função, dependendo de suas condições físicas.

De qualquer forma, a orientação do coach é que o paciente elabore um plano financeiro, considerando que algumas variáveis estão fora do seu controle.

Transformações
O adoecimento também gera reflexões e pode favorecer o autoconhecimento, fazendo com que o paciente passe por vários processos interiores de assimilação da enfermidade e de sua nova situação. “Não raro, essas pessoas relatam a percepção de que não têm controle absoluto sobre a sua vida, uma realidade que antes era ignorada e mascarada por uma rotina frenética, conduzida em ‘piloto automático’.”

Volta ao trabalho
Quando percebem que o tratamento oncológico evoluiu, aumentando sua expectativa e qualidade de vida, os pacientes começam a tomar decisões e traçar planos sobre sua vida profissional. “Frequentemente, eles tomam um novo rumo em suas atividades laborais. Alguns decidem diminuir sua carga horária, outros, mudar de função, transformar a maneira como exercem liderança ou buscar alternativas, como iniciar um negócio próprio”, conta Ricardo.

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