Imagem ilustrativa de tumor.

Como prevenir o HPV e câncer de colo de útero

04/02/2019 - 4 minutos de leitura

Quando diagnosticado em fase inicial, as chances de cura chegam a 100%
O câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente na população feminina brasileira, se não considerarmos os casos de tumor de pele não-melanoma, ficando atrás apenas do câncer de mama e do colorretal. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, até o final de 2019, 16.370 novos casos da doença serão diagnosticados no Brasil. A faixa etária mais preocupante é entre 35 e 44 anos. Apenas cerca de 15% são diagnosticados em mulheres com mais de 65 anos e raramente o problema acomete as jovens com menos de 20.

É importante saber que, com visitas regulares ao ginecologista e a realização do exame de Papanicolaou, você pode prevenir o tumor. E mais: quando ele é diagnosticado em fase inicial, as chances de cura chegam a 100%. Confira essas e outras informações preciosas, fornecidas pela Dra. Roberta Galvão Campos (CRM: 126456), especialista em oncologia clínica e oncogenética, do grupo Americas Serviços Médicos.

O que é HPV? Todo tumor de cólo de útero é desencadeado por ele?

HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano (Human Papillomavirus Infection), que corresponde a um grupo de vírus capaz de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais de 150 tipos diferentes, dos quais 40 podem infectar o trato ano-genital e pelo menos 13 são considerados oncogênicos, isto é, com portencial de causar câncer. Dentre esses, os tipos classificados como 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos.
 
Fatores ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual parecem influenciar na capacidade de regressão ou persistência da infecção pelo HPV, bem como na tendência a evoluir para o tumor.

O tabagismo, o início precoce da vida sexual, o número elevado de parceiros sexuais e de gestações, o uso de pílula anticoncepcional e a imunossupressão (condição patológica em que a imunidade é muito baixa)) são considerados fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de colo do útero. A idade também interfere, sendo que a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regride espontaneamente, ao passo que, acima dessa idade, a persistência é mais frequente.

Todos os tumores de colo do útero demoram anos para evoluir ou progridem rapidamente?

O câncer de colo de útero pode evoluir rapidamente, em semanas ou meses. Entretanto, as lesões pré-cancerígenas progridem mais lentamente, chegando a levar anos para desenvolver o câncer. Por isso, é importante fazer o exame preventivo — conhecido como Papanicolaou — regularmente, a fim de detectar essas alterações o quanto antes, já que elas são totalmente curáveis.
 
Com qual a frequência o Papanicolaou deve ser realizado?
 
 Após dois exames anuais normais consecutivos, o Papanicolaou pode ser realizado a cada três anos. Mas, uma vez identificada uma lesão, o acompanhamento fica mais rigoroso por um tempo: passa a ser feito a cada seis meses. 
 
Inflamações crônicas podem predispor a um tumor?

Outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como HIV e infecções por clamídia, entre outras, podem contribuir para a persistência da infecção pelo HPV e, consequentemente, para o desenvolvimento do câncer de colo de útero.

Só o Papanicolaou é suficiente para a prevenção e o diagnóstico?

Ele consiste na principal estratégia para detectar lesões precursoras e fazer o diagnóstico precoce. Mas o médico pode recorrer a métodos complementares, como colposcopia e vulvoscopia, que permitem visualizar a vagina, o colo do útero e a região da vulva. Se células anormais são detectadas no Papanicolaou, também é necessário realizar uma biópsia, com a retirada de uma pequena amostra de tecido para análise no microscópio. Normalmente, isso é feito após a realização da colposcopia e/ou da vulvoscopia, para melhor avaliação das lesões suspeitas.

E a vacina do HPV? Quem precisa tomar?

A vacina contra o HPV (quadrivalente) é extremamente segura e protege contra os quatro tipos mais prevalentes do vírus. Quanto mais jovem for feita a imunização (o ideal é que seja antes de iniciar a vida sexual), melhor para evitar a disseminação do HPV. A vacina está disponível no SUS e em clínicas particulares e deve ser tomada em duas doses, com intervalo de seis meses, por meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos, pessoas de 9 a 16 anos com HIV/Aids, pacientes oncológicos e transplantados (esses últimos, com prescrição médica). 
É importante deixar claro que a vacina não substitui o de Papanicolaou. As mulheres já vacinadas devem seguir as recomendações de exame preventivo regularmente.

Contraí HPV e tenho um parceiro fixo. Isso significa que ele transmitiu para mim?

Não necessariamente. Existe a possibilidade de você ter contraído de um parceiro anterior, muitas vezes, no primeiro contato sexual. As manifestações da infecção podem ocorrer meses ou até anos depois do contato com o vírus. Por esse motivo, não é possível determinar se ela é recente ou antiga. Ainda não se sabe por quanto tempo o HPV pode permanecer adormecido e quais são os fatores responsáveis pelo desenvolvimento das lesões.
 
É possível eliminar o vírus ou ele permanece no organismo para sempre?

A infecção pelo vírus HPV não tem tratamento específico. Na maioria das vezes, é assintomática e de caráter transitório, ou seja, regride espontaneamente. Tanto o homem quanto a mulher podem estar infectados pelo vírus sem apresentar sintomas. Em geral, nas infecções pelo HPV, as lesões são microscópias ou inexistentes. Quando não vemos lesões, não é possível garantir que o HPV não está presente, mas apenas que não está provocando doença.

Quem teve HPV uma vez precisa sempre ter um controle mais rigoroso? Se sim, de que forma deve ser feito?

Enquanto houver indício de infecção do HPV ou lesões de baixo grau, o exame preventivo deve ser repetido em seis meses. Quando não houver mais sinais de infecção, a paciente deve manter o rastreamento de rotina, começando com intervalos anuais.
 
Se o tumor for detectado no início, quais as chances de cura? E se o diagnóstico for tardio?

Quando diagnosticado em fase inicial, as chances de cura são próximas de 100%. A doença começa silenciosa. Sinais e sintomas como sangramento vaginal, corrimento e dor aparecem em estágios mais avançados. Infelizmente, as taxas de cura são extremamente baixas quando isso acontece.

Todas as lesões podem evoluir para um câncer? Como tratá-las?
As lesões precursoras são quase sempre curáveis e, se não tratadas, podem se transformar em câncer, após muitos anos. Se confirmada a presença de uma lesão precursora, ela poderá ser tratada por meio de cauterização, por exemplo.

Nos casos de câncer já confirmados, o esquema terapêutico deve ser avaliado e orientado por um médico oncologista. Entre as alternativas, estão cirurgia, quimioterapia e radioterapia. O estágio de evolução da doença, o tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade da paciente e desejo de engravidar, interferem na decisão do médico sobre a escolha do método de tratamento.
 
Fontes: Dra. Roberta Galvão Campos (CRM: 126456), especialista em Oncologia Clínica e Oncogenética do Grupo Americas Serviços Médicos; Instituto Nacional do Câncer (Inca); Ministério da Saúde.

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Autor Americas Serviços Médicos

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