Imagem com um médico usando um estetoscópio em um paciente.

Coração em marcha lenta

04/04/2018 - 3 minutos de leitura

Você sabe o que são as bradiarritimias? São um grupo de doenças que desaceleram os batimentos cardíacos, acarretando consequências ao organismo. Na entrevista a seguir, o Dr. José Carlos Tavares, especialista em arritimia e estimulação cardiaca artificial do Hospital TotalCor, dá todas as informações sobre o assunto:

No que consistem as bradiarritimias?
Pense que o coração tem células que formam um sistema elétrico gerador de energia e uma rede de distribuição. É desses impulsos elétricos que dependem os batimentos. Quando essas células se deterioram, por conta de outra doença ou do processo natural de envelhecimento, ocorre uma falha no sistema, o que altera o compasso cardíaco.

O que desencadeia as bradiarritimias?
Elas podem ser decorrentes do envelhecimento ou uma consequência de enfermidades como o infarto, doença de Chagas ou insuficiência cardíaca, por exemplo.

Mas, há pessoas idosas que não apresentam doenças graves do coração e, mesmo assim, desenvolvem a bradiarritimia. Existem outros fatores de risco?

Sim. Características genéticas, hipertensão e diabetes são alguns deles, bem como o uso de certos medicamentos, como os da classe dos betabloqueadores, que podem gerar esse efeito em algumas pessoas.

Nesse último caso, o problema é transitório?
Depende. Há situações em que a pessoa precisa manter o medicamento, mesmo na ocorrência de uma bradiarritimia. A saída, então, é implantar um marcapasso e seguir com o esquema terapêutico.

Quais são os sintomas mais comuns?
Considerando que o coração bate lentamente e não bombeia o sangue a contento para oxigenar os tecidos, o paciente pode sentir tontura, desmaios, cansaço, inchaço dos membros e demonstrar piora da capacidade física, de forma geral.

E isso pode ser grave?
Há risco de a pessoa cair, sofrendo um trauma grave, como uma fratura ou uma concussão cerebral. Sem contar que, à medida que o problema evolui, aumenta a probabilidade de o indivíduo sofrer uma parada cardíaca, por exemplo. Quando existe uma alteração estrutural do coração, por conta de uma insuficiência cardíaca ou histórico de infarto, por exemplo, o prognóstico costuma ser pior. Se for causado apenas pelo envelhecimento, com a estrutura cardíaca preservada, tende a resolvido com mais tranquilidade.

De que maneira o médico faz o diagnóstico?
A história clínica, um eletrocardiograma e um monitoramento cardíaco (Holter) de 24 horas, são suficientes para estabelecer o diagnóstico.

Como é feito o tratamento?
Não há medicamentos específicos. O tratamento se resume ao acompanhamento e, quando necessário, à colocação de um marcapasso — dispositivo que regula os batimentos cardíacos — para retomar o ritmo normal.

Qual o procedimento para introduzi-lo?
Trata-se de uma cirurgia minimamente invasiva, realizada sob anestesia local, onde um gerador de pulso é colocado no subcutâneo da região peitoral. Para o futuro, já existem marcapassos pequenos, do tamanho de uma moeda de um real, que não têm cabos e poderão ser implantados pela veia da perna até alcançar ao coração. A bateria dura aproximadamente dez anos, depois, é necessário substitui-la.

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