Imagem ilustrativa de estado de confusão mental.

Delirium: por que o assunto é tão sério?

05/02/2018 - 3 minutos de leitura

Esse estado de confusão mental afeta até 87% dos pacientes internados em unidades de terapia intensiva e pode colocar a vida deles em perigo. Daí a necessidade de prevenir ou identificar rapidamente a alteração, tomando as providências necessárias

O fato de ficar doente, por si só, já arrasa com emocional. A rotina muda, ficamos impossibilitados de exercer nossas atividades cotidianas e vem aquela sensação tremenda de impotência e fragilidade.
Some a isso uma internação hospitalar mais longa, com afastamento dos familiares, impossibilidade de ir e vir livremente, ver a luz do dia e admirar uma paisagem diferente. Natural que a mente comece a padecer.
Além disso, é preciso considerar que a própria doença e os medicamentos utilizados para tratá-la têm potencial de desequilibrar o organismo, especialmente as substâncias que conduzem os impulsos elétricos entre os neurônios, dando forma aos pensamentos.

É aí que surge uma condição chamada delirium, que se caracteriza por confusão mental, aliada à agitação ou apatia. Mais frequente do que se imagina, ela chega a afetar até 87% dos pacientes internados em unidades de terapia intensiva, sobretudo os idosos, de acordo com um levantamento da USP Ribeirão Preto (SP). Mas também pode ocorrer em casa e acometer pessoas mais jovens, com menor frequência — no momento da admissão hospitalar, cerca de 14% a 24% das pessoas já sofrem com o problema.
A alteração se distingue da demência por apresentar início súbito e flutuante, comprometendo a memória, a percepção, o senso de orientação e o comportamento. Identificá-la rapidamente é fundamental, pelo fato de ser capaz de colocar a vida do paciente em risco. “Nossa experiência mostra que o Delirium aumenta o tempo de permanência no hospital, deixando o paciente mais vulnerável a infecções e complicações relacionadas à imobilidade (como trombose e problemas respiratórios)”, alerta o enfermeiro Paulo Cesar Fonseca, da Unidade de Terapia Intensiva, do Americas Medical City (RJ).
Para se ter uma ideia de como o assunto é sério, o estudo da USP Ribeirão estima um percentual de mortalidade de 22 a 76%, em pacientes internados com Delirium.
Veja, a seguir, o que o Paulo tem a dizer, baseado em sua experiência com os pacientes que sofreram de Delirium:

Quais os fatores que predispõem a essa condição?

Idade avançada; cirurgia recente; doenças pré-existentes, como infecções, demência, infarto e AVC; traumas; uso de dispositivos invasivos, como sondas; desnutrição, imobilização prolongada; desidratação; privação de sono e uso de certos medicamentos.

O que é possível fazer quando o Delirium está relacionado ao uso de medicamentos?
Normalmente, o paciente passa pela avaliação de um psiquiatra, que pode rever o esquema de medicação.

É possível prevenir a complicação?

Sim, essa é a melhor estratégia. Musicoterapia, passeios em ambiente externo, banhos de sol, fazer com que o paciente caminhe, o mais precocemente possível, e auxílio para orientação (diferenciação de dia e noite, datas e fotos da família) ajudam muito na prevenção, assim como o ajuste de medicações e intervenção psiquiátrica ou psicológica.

E o sono, fica prejudicado na UTI? Há como melhorar as condições de descanso?

Com certeza. Nós ajustamos os horários de medicamentos, recorremos a protetores auriculares e máscaras para dormir, desligamos equipamentos barulhentos, quando possível, e deixamos, por exemplo, a lixeira para fora do quarto, para reduzir a frequência de entrada de profissionais da limpeza.

Se o Delirium se manifestar, existe tratamento?

Existe. A primeira providência é diminuir os fatores de risco, mencionados anteriormente. Se necessário, o médico também pode prescrever medicamentos específicos para regular as substâncias químicas, no cérebro, restabelecendo o padrão ideal.

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