Imagem de uma mulher tocando a cabeça sentindo dores.

Dor de cabeça em viagens? A mudança de hábitos pode ser o gatilho

01/02/2018 - 3 minutos de leitura

Nas horas de lazer, é natural que a gente queira flexibilizar um pouco a rotina. Tudo muda: a alimentação, os horários de sono e até a quantidade de álcool consumida. É aí que as pessoas sensíveis à dor de cabeça podem enfrentar mais episódios. Entenda o contexto

Antes de esclarecer o elo entre o incômodo e a quebra de rotina, é preciso explicar as origens do problema — no plural, mesmo, porque a dor de cabeça não tem uma única causa. “Sabemos que há alguns mecanismos envolvidos, como a dilatação e a constrição dos vasos do cérebro e alterações nos neurotransmissores (substâncias que conduzem os impulsos elétricos entre os neurônios)”, exemplifica o Dr. Gustavo Kuster, coordenador de neurologia de alguns hospitais do grupo Americas Serviços Médicos, como Paulistano, Totalcor, Alvorada, Metropolitano Lapa e Vitoria Anália Franco. “Além disso, certos fatores podem precipitar as crises em quem já é suscetível”, completa o médico.

Segundo ele, existem dois tipos mais comuns de dor de cabeça. A enxaqueca ou migrânea consiste em uma dor de intensidade moderada à forte, geralmente concentrada em um lado da cabeça e que se manifesta em uma sensação pulsátil. Pode vir acompanhada de vômito, náusea e sensibilidade à luz. Se realizada no momento do episódio, a atividade física pode agravar os sintomas, que chegam a ser incapacitantes. Em cerca de 20% dos pacientes, a dor de cabeça se manifesta dessa forma mais agressiva.

Já o tipo mais frequente é a chamada cefaleia tensional, que tende a aparecer no final do dia, dos dois lados da cabeça, com intensidade de leve a moderada e sem intolerância à luz ou som.

Ambas podem ser desencadeadas por fatores que variam de acordo com características individuas, em pessoas que já têm tendência à sensação dolorosa e que podem alterar o equilíbrio das tais substâncias que fazem o cérebro trabalhar em harmonia.

“Entre os principais, estão a mudança de fuso horário, a privação de sono, a ingestão de bebidas alcoólicas, alterações no padrão alimentar, exposição excessiva ao sol e postura inadequada para dormir, sobrecarregando a coluna cervical”, enumera o Dr. Gustavo. Por isso, para quem pretende viajar sem que o mal-estar estrague o passeio, o médico dá algumas orientações:

- Não exagere no álcool, especialmente, o vinho tinto, muitas vezes associado à dor de cabeça.

- Procure manter sua dieta, evitando jejum e mudanças radicais — alguns alimentos podem favorecer uma crise em quem tem sensibilidade. A tiramina, presente em alimentos fermentados, como queijos curados e vinho, está entre as substâncias que têm potencial de induzir o desconforto. O mesmo se aplica ao glutamato, ingrediente de alguns produtos industrializados. Mas, é preciso observar as reações individuais, já que elas só acontecem com alguns dos pacientes.

- Tente manter seus horários de sono e evite dormir menos horas do que o habitual. Se possível, providencie travesseiro e colchão apropriados, que não promovam sobrecarga na coluna.

- Mantenha-se hidratado, bebendo bastante líquido e evitando a exposição solar nos horários mais críticos. É melhor reservar os períodos mais frescos, antes das 10h e após as 16h, para se exercitar.

- Poupe sua cervical, reduzindo o tempo de uso de tablets e smartfones.

De uma vez por todas

Não basta tomar um analgésico cada vez que o problema der as caras. Quem tem mais de duas crises por semana ou já enfrentou uma só, considerada incapacitante precisa consultar um neurologista. Ele fará as avaliações necessárias e, se for o caso, prescreverá um tratamento contínuo, visando prevenir novas crises.

Praticar atividade física moderada, durante 150 minutos por semana, e manter uma alimentação saudável, rica em alimentos naturais, também ajudam no combate ao incômodo.

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Autor Americas Serviços Médicos

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