Imagem de uma mulher com dor de cabeça

Enxaqueca e calor: dias quentes pioram as crises?

Quem já sofre do problema pode ver as crises aparecerem com mais frequência nos dias quentes. Entenda a razão.

Importante chamar a atenção para um fato: quem sofre do problema nem sempre busca ajuda. As pessoas tendem a interpretar as crises como episódios isolados, associando-as a comportamentos, ingestão de certos alimentos e outros fatores, como o calor.

De fato, esses são alguns gatilhos para enxaqueca. Mas eles só fazem eclodir um problema já existente, e que pode ser tratado. Tomar um analgésico sem orientação médica e esperar passar é um grande erro, porque não trata a origem da dor e o uso excessivo de medicações ainda pode piorar o quadro.

O clima quente pode, realmente, aumentar a frequência de crises, por conta da desidratação decorrente dele. Por isso, além de ser uma medida geral de saúde, estar hidratado tem importância redobrada para quem vive com dor de cabeça.

Vale ressaltar, também, que maneirar na exposição solar, beber água e resfriar a cabeça com compressas de água fria são medidas que podem aliviar os sintomas das crises de enxaqueca.

Como identificar a enxaqueca

Ela é uma doença crônica, de gravidade variável ao longo da vida, relacionada a uma predisposição genética e que se manifesta na forma de dor de cabeça, capaz de durar de horas a dias. Estudos recentes mostram que o quadro está entre os três problemas de saúde mais incapacitantes na população abaixo dos 50 anos.

Em geral, a enxaqueca costuma vir acompanhada por outros sintomas, como enjoo, empachamento, vômito e desconforto com a luz e o barulho. Mas eles não aparecem todos juntos, necessariamente.

Os intervalos entre as crises variam. Algumas pessoas têm apenas uma por ano, enquanto para outras, o desconforto é recorrente e pode ser incapacitante.

Geralmente, o indivíduo sente necessidade de ficar deitado, em um quarto escuro e sem barulho. Isso porque alguns estímulos, como o esforço físico (por exemplo, subir uma escada) e o calor fazem com que a dor se intensifique.

Dicas:

  • Observe quais são os fatores que pioram as suas crises de enxaqueca. E, lembre-se: o que vale para outra pessoa nem sempre funciona para você.
  • A luminosidade incomoda muito quem já está com a crise, mas dificilmente é o gatilho para ela.

Essencial é tratar

Quem tem dor de cabeça recorrente deve procurar ajuda médica. Uma campanha recente da Sociedade Brasileira de Cefaleia, intitulada “Três é demais”, alerta que, se uma pessoa tem três ou mais episódios de dores de cabeça em um mês, ou se apresentou um episódio por mês nos últimos três meses, deve procurar um médico. Com o acompanhamento e tratamento, muitas pessoas deixam de precisar do pronto-socorro para contornar o incômodo.

Estratégia certeira

O tratamento da enxaqueca é multidisciplinar, combinando medicamentos, condicionamento físico e tratamento psicológico, baseado nos seguintes pilares:

-Educar o paciente — Ajudá-lo a entender o problema, saber como agir durante uma crise e evitar que ela aconteça.

Profilaxia — Prescrever o medicamento adequado para prevenir episódios, o que é indicado para quem tem dores muito frequentes ou episódios incapacitantes. Alguns exemplos são as terapias com toxina botulínica e outros medicamentos, como os da classe dos antidepressivos, anti-hipertensivos e antiepilépticos.

Mudanças no estilo de vida — A atividade física aeróbica regular é comprovadamente um fator de melhora, exceto durante as crises. Além disso, quem tem sobrepeso ou obesidade tem mais chances de ter crises de enxaqueca, por isso, a perda de peso e a redução no consumo de calorias ajuda no combate ao problema.

Doenças do sono e depressão — Corrigir eventuais distúrbios e dormir bem reduz as crises de enxaqueca.

Fonte: Dr. Marcio Nattan, neurologista do Grupo Americas Serviços Médicos.

Imagem da marca do Americas Serviços Médicos
Autor Americas Serviços Médicos

O mais moderno Grupo Médico-Hospitalar do país.