Médico avaliando exames neurológicos

Esclerose múltipla: como reconhecer sintomas precoces

Esclerose múltipla: cuidados que previnem o avanço da doença

Longe de ser um problema de idosos, a doença acomete, principalmente, mulheres entre 20 e 40 anos. Ficar atento aos sintomas e ao perfil de risco facilita o diagnóstico precoce

A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune, uma condição que ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do sistema nervoso. Ela se manifesta por agressões às bainhas de mielina dos neurônios, que resultam em lesões cerebrais e medulares capazes de trazer sérias limitações aos pacientes. Apesar de não ter cura, seu diagnóstico e tratamento têm evoluído muito, proporcionando mais qualidade de vida. Já é possível, por exemplo, detectar a doença diante das primeiras manifestações, o que permite atenuar os sintomas e prevenir crises que deixam sequelas e incapacidade cumulativa. Atualmente, existem 35 mil pessoas com a doença no país, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem). É importante deixar claro que a doença, apesar do nome (que deu origem ao termo popular “esclerosado”), não tem os idosos como vítimas preferenciais. Pelo contrário. São as mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, as mais acometidas, em uma proporção de 2,6 para cada homem.

Como identificar os sintomas?

Um dos maiores desafios relacionados à esclerose múltipla é reconhecer seus sinais e sintomas, que incluem fadiga intensa, fraqueza muscular, vertigens não características, alteração do equilíbrio, déficits da coordenação motora, disfunção intestinal e da bexiga, transtornos visuais e alterações sensitivas (dormência de membros e/ou diminuição de sensibilidade). A progressão do quadro ainda pode desencadear outros sintomas posteriores. Alterações de humor e cognitivas também podem estar presentes.

Uma dica importante é procurar um médico se apresentar alguns destes sinais, durante 24 horas ou mais, sem uma causa aparente. O parâmetro ajuda a identificar quando, realmente, faz sentido desconfiar de esclerose múltipla e procurar um especialista. “Às vezes, a pessoa tem uma dormência em um dos lados do corpo, que dura dois dias, e não faz nada, deixa pra lá. Mas, apesar de o primeiro surto não deixar sequelas relevantes, a doença pode estar se instalando em áreas mais silenciosas, que representam janelas de oportunidades importantes para evitar a progressão da doença”, explica a Dra. Maria Fernanda Mendes, neurologista do hospital Samaritano Higienópolis, responsável pelo serviço de Esclerose Múltipla e doenças correlatas do grupo Americas Serviços Médicos em São Paulo.

Existem fatores de risco para a doença?

Carência de vitamina D: isoladamente, ela não está relacionada à esclerose múltipla, porém, como o nutriente contribui com o funcionamento equilibrado do sistema imunológico, recomenda-se corrigir eventuais deficiências, mantendo-se os níveis adequados. Não há evidências de que a suplementação de altas doses interfira na evolução da doença.

Tabagismo: se a doença já estiver instalada e o paciente for tabagista, a tendência é que os surtos aumentem e a doença avance. Por isso, parar de fumar é fundamental.

Alimentação: a recomendação geral em relação aos alimentos tem o objetivo de equilibrar o sistema imunológico com a adoção de hábitos saudáveis. A flora intestinal desempenha um papel importante no equilíbrio do organismo e auxilia o bom funcionamento do sistema imunológico, por isso, a suplementação de probióticos e o consumo de alimentos que favorecem a proliferação das bactérias benéficas à digestão, como alho, cebola, aspargo, iogurtes, kefir e peixes, são muito indicados. Além disso, prevenir o excesso de peso diminui os radicais livres em circulação (moléculas provenientes do processo natural de oxidação no organismo, mas que, em excesso, prejudicam as células). Já os possíveis benefícios do café e do resveratrol (substância presente no vinho tinto e na uva) ainda não foram confirmados.

Diagnóstico precoce e prognóstico

Os médicos se baseiam em testes clínicos e de imagem para detectar a doença. São realizados exames de ressonância e de coleta de líquor (LCR — líquido cefalorraquidiano), que é extraído, por meio de uma punção, da coluna lombar e ajuda a confirmar a doença. O especialista ainda pode recorrer a outros exames complementares, se necessário.

Principais tratamentos

As terapias existentes retardam a evolução da doença e proporcionam uma melhor qualidade de vida aos pacientes durante muitos anos. Combinados com o diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica multidisciplinar, os medicamentos podem prevenir incapacidades e viabilizar um planejamento futuro para que o paciente viva bem com a doença.

Atualmente, existem muitos medicamentos que previnem o surgimento de lesões no sistema nervoso central, a ocorrência de surtos, o acúmulo de sequelas e a progressão das dificuldades neurológicas. Os imunomoduladores (interferonas e acetato de glatirâmer, de uso subcutâneo) equilibram a resposta imune, apresentando poucos riscos e efeitos colaterais.

Já os anticorpos monoclonais são drogas mais recentes e eficazes, geralmente utilizadas para tratar formas mais ativas de esclerose múltipla. No entanto, trazem mais efeitos colaterais. Outro avanço são as medicações orais, porém, apresentam indicações específicas para cada paciente. Também podem ser utilizadas drogas imunossupressoras que, como o nome sugere, inibem a ação do sistema imunológico. No tratamento das crises, especificamente, é indicada a pulsoterapia, que consiste na aplicação de altas doses de corticóide por via venosa ou oral.

As terapias de neurorreabilitação são fundamentais para atenuar os prejuízos inerentes às sequelas e melhorar a qualidade de vida do paciente, de forma geral. Elas devem incluir psicologia, neuropsicologia, fisioterapia, arteterapia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, entre outras.

Fontes consultadas: Dra. Maria Fernanda Mendes, neurologista do hospital Samaritano Higienópolis, responsável pelo serviço de Esclerose Múltipla e doenças correlatas do grupo Americas Serviços Médicos (SP); Abem — Associação Brasileira de Esclerose Múltipla; AME — Amigos Múltiplos pela Esclerose.

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