Imagem ilustrativa dos ossos da região dos quadris de uma pessoa.

Fratura em idosos: economia de tempo salva vidas

31/07/2017 - 3 minutos de leitura

Em pessoas mais velhas, o problema vai muito além de um osso quebrado. Entenda seu impacto no organismo e as melhores formas de prevenir complicações

Mais do que dor e dificuldade de locomoção, uma fratura de fêmur pode impor complicações capazes de ameaçar a vida de um paciente em idade avançada. Em um levantamento recente, publicado na Revista Brasileira de Ortopedia, foram revisados os prontuários de mais de 200 pessoas com idade superior a 65 anos, internadas com o problema. A análise apontou uma mortalidade de 23,6%.

“Esses pacientes reagem de forma sistêmica ao trauma, ou seja, é como se os recursos do organismo, como um todo, voltassem sua atenção para o problema, descompensando outros sistemas. Por isso, podem ocorrer alterações de pressão e ventilação pulmonar, além de uma queda imunológica e desequilíbrio metabólico”, alerta o Dr. Luiz Fernando Cocco, ortopedista do Hospital Samaritano de São Paulo.

Essa descompensação dos outros sistemas, por consequência, pode aumentar o risco de infecções muito comuns em idosos, como pneumonia. Outro desdobramento comum são os quadros de delírio, podendo agravar uma situação de demência já existente. O simples fato de ficar hospitalizado, em um ambiente estranho, privado de atividades sociais, altera o psicológico e contribui com a confusão mental. O desequilíbrio metabólico também pode agravar a situação, segundo o Dr. Luiz Fernando. “Em termos de complexidade, uma fratura de fêmur, para nós, é como um infarto para um cardiologista”, compara o médico.

Ficar imobilizado em uma cama de hospital, nos períodos pré e pós operatórios, aumenta, ainda, os riscos de formação de feridas, de coágulos nas pernas (trombose) e distúrbios da função renal, conforme complementa o Dr. Osvaldo Pires, ortopedista do Hospital Alvorada, que soma mais de 500 casos operados no Protocolo da Fratura do Quadril do Idoso, tendo sido pioneiro em adotar esse sistema, entre os hospitais privados de São Paulo.

É motivo suficiente para agilizar a cirurgia e reduzir o tempo de internação, garantindo que o paciente volte a andar o quanto antes, após o procedimento, e retorne para casa o mais rápido possível. “Desde a entrada no pronto-socorro, oferecemos, ao idoso, um acompanhamento multiprofissional, incluindo geriatra, fisioterapeuta e outros especialistas. Eles adotam uma série de medidas para preparar o paciente para a cirurgia em até 48 horas. No pós operatório, o treinamento funcional e o fortalecimento da musculatura são conduzidos diariamente e de forma direcionada”, explica o Dr. Osvaldo Pires.

A intervenção cirúrgica vai depender das condições individuais, já que, em alguns casos, o paciente pode apresentar histórico de hipertensão, diabetes e uso de anticoagulantes, que requerem controle prévio. Isso é importante porque a anestesia empregada nesses procedimentos promove a dilatação dos vasos, aumentando a frequência cardíaca, desacelerando a atividade dos rins, entre outros efeitos. Portanto, a estabilidade clínica é fundamental.

A mesma lógica para uma cirurgia rápida e precisa também justifica antecipar a alta do paciente, o máximo possível. “O objetivo é que ele comece a caminhar assim que terminar o efeito da anestesia, a fim de promover uma melhor recuperação fisiológica e muscular, além de diminuir o edema (inchaço). E, finalmente, os idosos que estão controlados — com boa função renal, pulmonar e cardiovascular — , sem dor e com capacidade de andar com apoio, podem ter alta em 24 horas após a cirurgia”, esclarecem os especialistas do Americas Serviços Médicos.

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