Imagem com uma mulher segurando um comprimido.

Imunobiológicos orais: a nova geração da quimioterapia

17/08/2017 - 3 minutos de leitura

O tratamento do câncer não é sentença de sofrimento. Nem todos os tratamentos promovem efeitos colaterais intensos, que chegam a afastar o paciente de sua rotina. Já existem medicamentos modernos, que agem de forma direcionada sobre o tumor, diminindo efeitos colaterais. Em muitos casos, é até possível tomar o remédio em casa, por via oral. Na entrevista a seguir, o Dr. Mauro Zukin, oncologista do Americas Centro de Oncologia Integrado, explica as vantagens desse recurso terapêutico.

Quais as diferenças entre os medicamentos convencionais e os imunobiológicos?
Os imunobiológicos são moléculas grandes, que atuam no sistema de defesa do próprio organismo ou até em um processo especifico e anormal da célula maligna. Já os tradicionais são moléculas que atacam diretamente essas células estranhas. A principal diferença entre os dois tipos são os alvos atingidos. Os primeiros miram em moléculas específicas do sistema imunológico, responsáveis pelo surgimento da doença. Ou seja, têm uma ação mais seletiva, que costuma ser superior, em termos de eficácia. As drogas convencionais, por outro lado, atuam diretamente na célula maligna, em múltiplas áreas do organismo, o que aumenta seu efeito tóxico e a possibilidade de provocarem consequências indesejadas.

Por favor, cite alguns exemplos dessa ação mais focada dos imunobiológicos.
Algumas drogas bloqueiam o chamado fator de crescimento vascular, ou seja, fazem com que o sistema de vasos sanguíneos que irrigam o tumor regrida, evitando que ele continue a crescer.
 Há também um tipo específico de câncer de pulmão, causado pela produção anormal de uma proteína que induz o crescimento celular por trás do câncer. O medicamento ataca justamente essa proteína, barrando o estímulo à multiplicação celular desenfreada.

Quais são as formas de administração dos imunobiológicos?
Eles podem ser ministrados pela veia ou pela boca, em forma de cápsulas. Além de trazer mais conforto ao paciente, a administração oral é uma alternativa importante, nas situações em que há comprometimento das veias, devido a tratamentos anteriores.

Os remédios orais precisam ser administrados em um local especializado, por conta de eventuais efeitos adversos?
Não. A necessidade de deslocamento do paciente a um centro de infusão (administração) é uma medida de segurança relativa à manipulação de drogas injetáveis. Quando o medicamento é oral, deve ser tomado em casa.

Qual a frequência de administração?
O medicamento oral deve ser tomado diariamente. Se for injetável, vai depender da medicação, mas a aplicação normalmente é feita a cada sete, 15 ou 21 dias.

Quais são principais tipos de câncer para os quais já existem imunobiológicos orais de primeira escolha?
Câncer de pulmão e rim são os principais exemplos.

Quando os imunobiológicos, de forma geral, são a melhor opção de tratamento, levando-se em conta o custo-benefício?
Em geral, se temos um alvo definido na célula maligna ou no ambiente em que o tumor se desenvolve, os imunobiológicos passam a ser a primeira opção.

De fato, o alto custo de alguns desses remédios pesa na decisão. Mas, sem dúvida, os benefícios são grandes. Daí a importância de discutirmos as formas de facilitar o acesso a quem precisa.

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