Imagem de um conta-gotas aplicando algum liquido.

Imunoterapia: tratamento promissor

13/07/2018 - 3 minutos de leitura

O tratamento que otimiza o sistema de defesa do organismo para que ele próprio combata a doença é uma das alternativas mais promissoras para certos tipos de tumor. Veja quem são os principais beneficiados

As células do nosso organismo se multiplicam o tempo todo e não é incomum que, em algum momento, parte delas sofra uma alteração, passando a se proliferar de forma desordenada. Acontece que, em condições normais, o sistema imunológico identifica a falha no início e elimina a célula defeituosa.

O problema é que, às vezes, o erro passa despercebido e continua se multiplicando, até se transformar um um câncer. Para piorar, as células tumorais têm a capacidade de criar estratégias para se esconder do sistema imunológico, permanecendo no organismo e promovendo prejuízos.

Cientes disso, os pesquisadores vêm buscando, nos últimos anos, maneiras de desmascarar o tumor para que as células imunológicas consigam reconhecê-lo e lutar contra ele. É assim que funciona a chamada imunoterapia, uma das classes de medicamento mais promissoras para o tratamento de determinados tipos de câncer, como os de pele melanoma, pulmão, bexiga e cabeça e pescoço, além do linfoma do tipo Hodgkin.

Como funciona?
Os medicamentos imunoterápicos desarticulam os mecanismos de camuflagem dos tumores, deixando-os mais evidentes para os linfócitos — células responsáveis por destruí-los. “Algumas dessas drogas atuam, por exemplo, na via PD1/PD-L1, que funciona como um freio do sistema imunológico, confundindo os linfócitos”, traduz o Dr. Luiz Henrique Araújo, oncologista do Americas Centro de Oncologia Integrado (RJ).
Ao tirar o tumor do esconderijo, a terapia aumenta as chances de o sistema imunológico vencer a luta contra ele.

Quando optar pela imunoterapia
Os especialistas se baseiam em alguns critérios para eleger os pacientes com maior chance de se beneficiar do tratamento.

O primeiro são os resultados de pesquisas clínicas, que já demonstraram a eficácia da imunoterapia contra os tumores citados anteriormente, sobretudo quando eles apresentam metástase, ou seja, já se espalharam para outras partes do corpo.

“Outra possibilidade é fazer a avaliação genética das células do câncer em laboratório. Quanto maior o número de mutações presentes, maior é a probabilidade de resposta positiva à imunoterapia”, esclarece o Dr. Luiz Henrique. “Sabemos, também, que 10% dos casos de tumor colorretal têm uma característica específica, chamada de instabilidade de microssatélites, que está relacionada a uma falha de reparo ao DNA. Esse também é um indício de que a imunoterapia pode ser uma boa escolha”, completa o médico.

Como é o tratamento?
Ele é feito por via endovenosa, ou seja, direto na veia, em unidades oncológicas especializadas. Dependendo da situação, pode ser associado à quimioterapia ou radioterapia. Cada sessão leva, em média, uma hora e, dependendo do esquema terapêutico, as aplicações podem ser realizadas em intervalos de duas ou três semanas. Passada a fase crítica, o médico irá determinar se o medicamento precisa ser mantido para o resto da vida ou se é seguro suspendê-lo depois de um ou dois anos.

Em geral, a imunoterapia costuma ser muito bem tolerada, com efeitos colaterais reduzidos, em comparação com a quimioterapia. Mas cerca de 5% dos pacientes desenvolvem reações autoimunes, ou seja, quando o sistema imunológico ataca os tecidos do próprio corpo. Mesmo assim, a maioria dos episódios é bem controlada, como os distúrbios de tireoide, em que há remédios que substituem os hormônios produzidos pela glândula.

Como precaução, são realizados consultas e exames de sangue periódicos para monitorar as condições metabólicas e hormonais do paciente.

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Autor Americas Serviços Médicos

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