Imagem ilustrativa do tecido do coração com a frase "O que o colesterol tem a ver com infarto?".

Infarto: diferenças entre homens e mulheres

08/08/2017 - 3 minutos de leitura

Tal episódio se manifesta de forma distinta nos dois gêneros. Conhecer essas particularidades ajuda na prevenção e pode salvar vidas. Fique por dentro

As chamadas doenças cardiovasculares, caracterizadas pela formação de placas que entopem os vasos sanguíneos, são responsáveis por quase 30% das mortes no país, segundo o Ministério da Saúde.

Ocorre que o cigarro, a obesidade e o diabetes, entre outros fatores, agridem o revestimento dos vasos, tornando-os mais suscetíveis ao acúmulo de gordura. Aí, quando o LDL, (conhecido como a fração ruim do colesterol) circula em excesso, ele se deposita por ali, constituindo a placa.

“Então, entram em cena outros agentes, como a hipertensão e os hormônios do estresse, por exemplo. Eles contraem as artérias, favorecendo a ruptura das placas”, explica o Dr. Maurício Jordão, cardiologista do Hospital Samaritano de São Paulo.

A partir dessa combinação, está feito o estrago. Ao romper, a placa obstrui o vaso e o sangue não consegue circular, para transportar oxigênio e nutrientes até os tecidos. Consequentemente, eles acabam entrando em colapso. Quando o incidente ocorre no cérebro, é chamado de AVC. Se o coração for afetado, trata-se de um infarto.

Questão de gênero
Cerca de 60% das pessoas que enfrentam o problema são homens, o que não quer dizer, nem de longe, que as mulheres podem descuidar do coração. “O fato é que, até por volta dos 50 anos (idade média em que entram na menopausa), elas contam com a proteção do hormônio feminino estrogêno, que ajuda a equilibrar os níveis de gordura no sangue e o metabolismo como um todo”, contextualiza o Dr. Maurício Jordão.

Isso explica por que a doença tende a surgir entre sete e 10 anos mais tarde no time feminino, no momento em que a menopausa põe fim ao efeito protetor do estrogênio, segundo uma revisão de estudos holandesa. A partir daí, elas passam a ganhar peso e a pressão arterial costuma subir, assim como o LDL.

Outro alerta importante é que as mulheres são mais prejudicadas por determinados fatores de risco, como o tabagismo e o diabetes. Aquelas que têm a disfunção chegam a apresentar uma probabilidade 50% maior de complicação cardiovascular do que os homens com o mesmo problema.

Moral da história: independentemente do sexo, todo mundo precisa se alimentar de forma saudável, manter as doenças crônicas, como o diabetes, sob controle, praticar atividade física e evitar os hábitos prejudiciais. Mais do que isso: saber reconhecer os sinais de perigo e correr para um serviço de emergência, diante deles. “Em mulheres, nem sempre os sintomas de infarto são típicos, como dor torácica, que irradia para a mandíbula ou para o braço esquerdo”, avisa o Dr. Jordão. “Nelas, o episódio pode se manifestar com dor nas costas, falta de ar, perda da capacidade física, tontura, sudorese e náusea,o que confunde e atrasa o diagnóstico”, complementa.

Auxílio tecnológico
Diante de uma suspeita de infarto, é necessário verificar as condições das artérias, localizando a obstrução e as características do problema para definir a melhor conduta terapêutica. Antigamente, essa análise só era possível por meio de um cateterismo, um procedimento invasivo que consiste na introdução de catéter em vasos sanguíneos das pernas ou dos braços e guiado até o coração.

Atualmente, um exame de imagem não invasivo, chamado angiotomografia de coronárias, fornece imagens tridimensionais do coração, poupando alguns pacientes do cateterismo no momento do diagnóstico. “Quando a obstrução é inferior a 50%, a própria angiotomografia permite uma conclusão, excluindo o paciente do cateterismo”, esclarece o Dr. Maurício Jordão.

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