A imagem mostra uma médica segurando o braço de uma paciente.

Infecção por HPV: controlar afasta o câncer

07/02/2018 - 3 minutos de leitura

Muito se fala em prevenção, mas, às vezes, ela falha. E não é preciso entrar em pânico por causa disso. Controlar o vírus, a partir de um acompanhamento periódico, permite contê-lo, evitando que progrida para um tumor. Quer saber como?

Ser diagnosticado com HPV é um choque. Não raro, gera um misto de sentimentos, como culpa, medo e baixa autoestima. Mas, antes de tudo, é importante saber que você não está só: cerca de 20% das brasileiras são portadoras do vírus e esse índice pode chegar a 80%, aos 50 anos, de acordo com as Diretrizes para o Diagnóstico e Tratamento do HPV na Rede Municipal de São Paulo. Ou seja, trata-se de um vírus sexualmente transmissível bastante prevalente na população.

Outro esclarecimento que não pode faltar é que a presença do HPV no organismo não é sentença de câncer de colo de útero. Existem tipos e tipos do vírus, alguns de alto risco, outros, de baixo.

Ok, agora vamos considerar a pior das hipóteses, a de uma lesão por HPV de alto risco aparecer, ameaçando evoluir para um tumor. Ainda assim, há uma probabilidade próxima de 100% de tratá-la sem ter de enfrentar nenhuma complicação, bem antes de se transformar em câncer.

Em média, o tempo entre a infecção por HPV de alto risco e o desenvolvimento da doença é de 10 anos. Nem por isso você pode esperar tanto tempo para ir ao ginecologista — mesmo que não seja portadora do vírus, que fique claro! O alerta vale para os homens, já que o HPV também está associado ao câncer de pênis. Portanto, verrugas ou lesões suspeitas devem ser avaliadas por um urologista.

O recado é claro: se você fizer tudo como manda o figurino, a tendência é que a doença passe ao largo. O ponto de partida é o exame de colpocitologia oncótica, ou Papanicolaou, como é mais conhecido.

No Brasil, a recomendação é o rastreamento do vírus em mulheres de 25 a 64 anos, que já iniciaram a atividade sexual, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Ele deve ser anual e, após dois resultados consecutivos negativos, o intervalo passa a ser de três anos. 
A partir dessa primeira análise, o especialista irá orientar os procedimedntos necessários, diante de eventuais alterações no resultado.

Cada problema, uma conduta

O vírus do HPV pode se apresentar de formas diferentes, ao longo da vida, e é isso o que vai determinar o tratamento. 
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde, as possibilidades são as seguintes:

Apresentação latente: é quando a pessoa infectada não apresenta nenhuma lesão, apenas resultado positivo para um teste chamado de captura híbrida, que detecta o DNA viral. Essa condição pode se prolongar indefinidamente — até pela vida toda. E, muitas vezes, o próprio organismo dá conta de inativar o vírus. A orientação, neste caso, é manter o acompanhamento com Papanicolaou.

Apresentação subclínica: trata-se de microlesões que só podem ser identificadas por meio de exames, como o Papanicolaou. Na maioria das vezes, elas são de baixo risco. Mas, a presença dos tipos oncogênicos, com grande potencial de gerar tumores, requer a realização de outro exame, batizado de colposcopia. O método permite aumentar a visão do tecido uterino em até 16 vezes, com auxílio de substâncias que tornam qualquer anormalidade evidente. Se uma alteração for flagrada, o médico poderá realizar uma biópsia. Mas, se ele concluir que a lesão é de baixo risco, bastará repetir os exames preventivos com um intervalo menor, de seis meses, levando em conta que há possibilidade de o problema regredir espontaneamente.

Apresentação clínica: trata-se de lesões maiores e mais fáceis de serem visualizadas. Muitas vezes, elas se manifestam em formato de verruga genital, podendo adquirir aspecto de uma couve-flor. Dependendo de seu tamanho ou localização, pode provocar uma sensação dolorosa. Nos homens, tendem a se manifestar na glande ou na região perianal. No entanto, se detectadas nos exames preventivos, as lesões só devem ser biopsiadas se apresentarem um aspecto suspeito.

E depois?

Vários fatores devem ser levados em consideração na hora de definir o tratamento, como o número, o local e o tamanho das lesões. As opções terapêuticas variam desde aplicação de ácido e substâncias que barram a proliferação celular, até cauterização, criocauterização (congelamento) e cirurgia. Caso a alteração não regrida no prazo de seis meses, pode ser necesssário rever a estratégia de tratamento.

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