Imagem com um gradiente roxo e a frase "15 de setembro, Dia Mundial da Conscientização do Linfoma".

Linfoma: diagnóstico precoce e as chances de um tratamento bem-sucedido

15/09/2017 - 3 minutos de leitura

Se a descoberta de um tumor em um órgão específico já gera angústia, que dirá receber o diagnóstico de um câncer que acomete um sistema inteiro, distribuído pelo organismo. Muita calma. Identificar o linfoma cedo traz excelentes chances de recuperação — em muitos casos, até de cura.

Talvez você não tenha parado para refletir sobre a estrutura e a função do sistema linfático. Ele é composto por uma rede de vasos e pequenos gânglios, responsáveis por transportar um líquido transparente, batizado de linfa. Essa substância percorre o corpo, removendo suas impurezas e realizando uma faxina caprichada.

Além disso, o sistema tem a importante função de defender o corpo de micro-organismos causadores de infecções. Para isso, os gânglios linfáticos atuam como verdadeiros sentinelas: eles ficam localizados em regiões estratégicas — como pescoço, tórax, abdômen, axilas e virilha — e são recheados de células imunológicas, sempre de prontidão para barrar vírus e bactérias invasores.

“É justamente nesses gânglios que o linfoma pode se originar, quando células de defesa chamadas de linfócitos passam a se proliferar de forma desordenada”, esclarece o Dr. Ricardo Bigni, hematologista do Americas Centro de Oncologia Integrado (RJ) e do serviço de hematologia do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Se, por um lado, é difícil falar em prevenção da doença, já que ela não está associada a hábitos de vida, por outro, existe a oportunidade de combatê-la de forma eficiente, desde que o diagnóstico seja precoce.

A lógica é simples. Se existe chance de as tais células alteradas passearem pelo organismo, espalhando o problema, a estratégia mais sensata é contê-la o mais rápido possível.

Que linfoma é esse?
Há em torno de quatro dezenas de enfermidades que recebem essa nomenclatura. Elas são divididas em dois tipos: linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin. “O primeiro é mais incomum e ocorre na proporção de um a cada dez casos. Ele tende a apresentar uma evolução agressiva, porém, tem ótimo potencial de cura”, comenta Ricardo Bigni.

Já os do tipo não-Hodgkin podem se manifestar de duas formas: aqueles que têm crescimento mais rápido e agressivo, mas com boa perspectiva de recuperação (assemelhando-se ao linfoma de Hodgkin) e aqueles que se desenvolvem mais lentamente, mas que costumam ter uma extensão maior e mais risco de recorrência.

Via de regra, vale ter consciência de que os tumores agressivos são capazes de matar em poucas semanas ou meses, se não tratado da forma correta. E mesmo os mais indolentes tendem causar um comprometimento cada vez maior. “Com um diagnóstico precoce, essa perspectiva muda completamente. O primeiro tipo pode ser curado em mais de 60% dos casos e o segundo tem boas chances de ser controlado, com redução de danos e aumento da sobrevida e da qualidade de vida”, justifica Ricardo Bigni. É motivo suficiente para ficar atento aos sintomas e buscar avaliação médica diante de uma suspeita.

Merece atenção
Por todas essas razões, procure um médico se você observar:

  • Gânglios aumentados ou que crescem progressivamente, em regiões como pescoço, tórax, abdômen, virilha ou axilas. Especialmente se eles não regredirem em três ou quatro semanas.
  • Dminuição da imunidade, com infecções recorrentes.
  • Cansaço, alteração em exames de sangue e outros indícios de anemia.

Hora de agir
Se o médico desconfiar de um linfoma, é provável que encaminhe você para um cirurgião, que realizará uma biópsia do gânglio, a fim de esclarecer a dúvida. Se o resultado for positivo para a doença, ele fará o encaminhamento para um hematologista, especialista responsável por direcionar o tratamento. As decisões terapêuticas vão depender das características e do estágio da doença, além de um eventual acometimento de outras estruturas, e podem envolver desde quimioterapia e radioterapia até transplante de medula óssea ou de células-tronco.

Não é linfoma
É bem possível que você já tenha sentido uma protuberância meio dolorida no pescoço, como se fosse uma espécie de caroço. Nada de entrar em pânico. Na maioria das vezes, isso significa apenas que o gânglio linfático entrou em ação para combater alguma infecção. Mas, se ele não regredir em algumas semanas ou se for indolor, vale passar por avaliação médica.

Mesmo na pior das hipóteses, se o problema for identificado rapidamente, pode se encher de esperança. Há uma probabilidade enorme de que a situação tenha um desfecho positivo.

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