A imagem mostra uma mulher de costa segurando uma maça em uma das mãos, e na outra um bolo.

Não basta emagrecer, é preciso manter!

11/10/2017 - 3 minutos de leitura

Tão difícil quanto perder peso é fazer a manutenção da boa forma conquistada — por um, dois, 10 anos. Descubra como evitar o autoboicote e vencer os principais desafios

Quando se trata de viver em paz com a balança, as estatísticas desanimam um pouco. Uma revisão de pesquisas publicada no periódico The American Journal of Clinical Nutrition revelou que só 20% das pessoas com excesso de peso conseguem manter os resultados do emagrecimento por, pelo menos, um ano.

As estimativas brasileiras são até mais duras do que as norte-americanas: a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) aponta que 50% dos pacientes recuperam o peso anterior ao tratamento em 12 meses e apenas 11% mantêm a redução de cinco quilos ou mais, depois de cinco anos.

Esse percentual é um pouco diferente, no caso de quem se submete à cirurgia bariátrica. “Por promover alterações anatômicas e metabólicas, o procedimento favorece a manutenção do novo peso em mais de 80% dos casos”, comenta o Dr. José Afonso Sallet, diretor do Centro de Excelência em Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Hospital Vitória, em São Paulo.

Essa é, portanto, uma alternativa para quem apresenta um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40 ou acima de 35, se associado a outros problemas, como depressão, diabetes e apneia do sono, segundo as diretrizes da Abeso.

O que funciona

Felizmente, a ciência já dispõe de uma série de informações sobre o que dá certo nessa batalha contra a obesidade — ajudando a poupar o desgaste da tentativa e erro.A primeira boa notícia, constatada pela revisão de estudos, é que, depois de se manter em forma por um período de dois anos, o risco de engordar novamente cai 50%.

A segunda é que, se você estiver disposto a adotar hábitos saudáveis, tenha a certeza de que estará no caminho certo. Dos quatro mil participantes da pesquisa que conseguiram se livrar dos quilos extras, 89% combinaram reeducação alimentar com exercícios. Dez por cento investiram apenas na dieta e 1% contou só com a atividade física — em média, uma hora por dia de treino moderado, como caminhada ou pedalada.

Mesmo quem fez cirurgia bariátrica precisa entender a importância de uma mudança comportamental. “Além de uma alimentação saudável, praticar esportes por 50 minutos, três vezes por semana, é fundamental”, confirma Sallet. “A psicoterapia é outro recurso necessário para os 30% dos pacientes que têm um comportamento alimentar compulsivo”, complementa.

Na prática

Conheça outras estratégias que fazem a diferença para manter o novo peso, de acordo com as diretrizes da Abeso e o estudo do The American Journal of Clinical Nutrition:

Balança, sim: pesar-se ao menos uma vez por semana parece contribuir com o controle do peso, por auxiliar na conscientização sobre o próprio corpo.

Sem escorregões: manter um padrão alimentar, evitando momentos de abuso, como aos fins de semana, tende a favorecer a silhueta.

Café da manhã, sempre: Nunca é demais reforçar que caprichar na primeira refeição do dia e pegar leve à noite é mais do que positivo.

Bom descanso: a privação do sono atrapalha o aproveitamento de açúcar pelo corpo, além de desequilibrar a produção de hormônios que regulam a fome e a saciedade.

Fiscalize-se: anotar episódios de compulsão, eventos que os desencadearam e quantidades ingeridas auxilia na identificação das causas do problema.

No divã: a psicoterapia é parte fundamental do tratamento. O tipo cognitivo-comportamental traz aprendizados super positivos, como trocar o elevador pela escada, evitar ocasiões que facilitem os abusos calóricos, como uma ida ao bar, e romper pensamentos como. “Já exagerei, por isso, vou largar mão da dieta”. A terapia empregada no tratamento da obesidade tende a durar até 20 semanas. Mas, existem evidência de que prolongá-la por 40 semanas tem maior impacto sobre a perda de peso, depois de seis anos.

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