Imagem microscópica de vírus

Nosso guia de ação contra o surto de sarampo

09/10/2019 - 4 minutos de leitura

No dia 12 agosto, relatório emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) disparou o sinal de alerta: o mundo está atravessando o pior surto global de sarampo desde 2006. Entre janeiro e julho deste ano, foram notificados 364.808 casos, em 182 países. No mesmo período do ano passado, esse número ficou em 129.239. E, de acordo com os especialistas, esses números são subestimados. Estima-se que menos de um a cada dez episódios da doença são notificados para a OMS.

O Brasil, que até 2018 era reconhecido pela OMS como país livre da circulação do sarampo, não escapou desse quadro epidemiológico. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no início de outubro, foram registrados nos últimos 90 dias 5.404 casos no Brasil, 97% desse total no Estado de São Paulo. Desde o início de 2019, São Paulo registra 5.346 casos confirmados.

Diante desse cenário, o Americas Serviços de Saúde lançou o Guia Vigilância e Assistência de Sarampo dos Hospitais do Grupo Américas, um plano de ação voltado à sua rede de hospitais que tem se mostrado bastante eficaz. “Nossos serviços hospitalares estão atentos ao surto, e as medidas contra o sarampo têm sido implantadas de forma rápida”, afirma o Dr. Lauro Vieira Perdigão Neto, médico infectologista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Paulistano. Nesta entrevista ao Acontece Americas, ele conta detalhes sobre a iniciativa e fala sobre seus resultados. Confira!

Por que o Americas decidiu criar um plano de ação específico para combater o surto de sarampo?

Há preocupação e atenção contínuas dos profissionais do Grupo Americas para com as estratégias de enfrentamento de epidemias.  A exemplo do que ocorre contra dengue, influenza e febre amarela, há debates e implantação de medidas que minimizam as consequências dessas doenças. Tais planos de ação são amplamente discutidos por iniciativa dos colaboradores dos próprios hospitais e também com as lideranças corporativas, quando acontece, inclusive, a troca de experiência entre serviços. Em relação ao sarampo, as principais ações de enfrentamento da doença nos nossos hospitais estão descritas no Guia Vigilância e Assistência de Sarampo dos Hospitais do Grupo Américas.

2-Quais as principais ações previstas?

Uma das ações tem sido o envolvimento do próprio paciente na proteção do ambiente. Ao se reconhecer como possível portador de doença transmissível por meio dos cartazes e artes expostos nas entradas dos hospitais, ele já pode solicitar e colocar uma máscara de proteção, evitando a disseminação do vírus do sarampo. Outra medida importante tem sido o incentivo à vacinação de colaboradores, com o envolvimento das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar, das Diretorias e da Alta Gestão, da Qualidade, da Medicina do Trabalho, dos líderes corporativos e de outros serviços e lideranças. O Guia também orientou os colaboradores quanto a questões como as condutas diante de casos suspeitos e diante de pacientes e profissionais expostos ao sarampo.

3- É possível mensurar a eficácia desse plano ou de algumas das suas frentes?

O plano de enfrentamento ao sarampo tem se mostrado muito eficaz. Os serviços hospitalares estão atentos ao surto, e as medidas contra o sarampo têm sido implantadas de forma rápida. As coberturas vacinais de colaboradores atingiram números adequados para a prevenção da transmissão em ambiente hospitalar. Os diagnósticos de pacientes com suspeita de sarampo também têm sido precoces, o que minimiza a exposição de indivíduos suscetíveis ao vírus.

4- Qual a magnitude do surto de São Paulo no Brasil e no município? Em que estágio ele está?

O Brasil vem registrando aumento do número de casos de sarampo desde o último ano. Em 2016, o país havia recebido o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas em 2018 houve um grande surto, que somou 10.262 casos confirmados, dos quais apenas 3 em São Paulo. Em 2019, contudo, tem acontecido uma circulação importante no Estado de São Paulo: até o início de outubro, tinham sido confirmados 5.346 casos. Felizmente, a partir de então, estamos vivenciando a diminuição no número de casos confirmados. Por esses números, que configuram o surto, o Brasil perdeu o certificado.

5- Que riscos um surto do gênero oferece para a população? 

O sarampo é uma doença de transmissão respiratória que pode ter complicações graves, como pneumonia e acometimento de sistema nervoso central. Já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no Brasil em um passado não muito distante. Surtos de sarampo sempre são ameaçadores, já que ela é uma doença potencialmente grave e de fácil disseminação na população. Em 2018, o Brasil teve 12 óbitos decorrentes da doença. Em 2019 houve, até o começo do mês, seis óbitos por sarampo no Brasil, sendo cinco no Estado de São Paulo.

 6- Existem públicos específicos mais vulneráveis ao sarampo?

 O sarampo é uma doença que apresenta evolução mais grave em crianças menores de cinco anos, desnutridos, pacientes imunodeprimidos e indivíduos que não receberam nenhuma dose da vacina. O motivo de o acometimento ser mais danoso nesses indivíduos reside na defesa contra o vírus: neles, o sistema imunológico não se encontra em plenitude para a defesa contra o vírus ou nunca foi exposto a esse agente agressor, o que conferiria memória de defesa.

7-O que a população precisa saber sobre a vacina?

É importante que todos saibam que a vacina contra o sarampo é segura e suas contraindicações são poucas, como gestantes, pacientes que receberam vacina feita com vírus vivo nos últimos 30 dias e pacientes imunodeprimidos graves. Diante da dúvida com relação à vacinação prévia, o indivíduo deve receber a vacina em todos os casos indicados. A quantidade de doses – nenhuma, uma ou duas – vai depender da idade e se a pessoa é ou não profissional de saúde. É importante lembrar que a vacina tríplice viral protege não só contra o sarampo, mas também contra a rubéola e contra a caxumba, outra doença imunoprevenível que eventualmente se apresenta como surto.

Logo do Americas Serviços Médicos.
Americas Serviços Médicos

O mais moderno Grupo Médico-Hospitalar do país.