Imagem ilustrativa com o desenho de um homem triste e a frase "Crise de pânico!" escrita.

Pronto-socorro por quê? Ataque de pânico!

09/10/2017 - 4 minutos de leitura

Essas crises estão entre os principais motivos que levam os pacientes a buscar atendimento de emergência, segundo um artigo científico da Unifesp. Se acontecer com você, saiba que é possível controlar essa experiência tão incômoda, cujos sintomas extrapolam o pavor de perder a vida.

Em um instante, você está trabalhando tranquilamente ou dirigindo a caminho de casa. No outro, sem mais nem menos, vêm uma onda de mal-estar súbito e intenso: coração acelerado, falta de ar, dor ou opressão no peito, tremor, sudorese, tontura, paralização, medo de perder o controle ou de enlouquecer, sensação de que não reconhece a si próprio. Tudo isso junto ou algumas dessas manifestações associadas. Difícil não pensar que sua vida está em perigo, certo?

Não à toa, 43% dos pacientes são atendidos em um pronto-socorro e 15% deles chegam em ambulâncias, conforme o mesmo artigo mencionado anteriormente. E o problema é relativamente frequente.’ “Aproximadamente, 20% da população enfrentam a crise, pelo menos uma vez na vida”, esclarece o Dr. Valdenir Tofolo, psiquiatra pós-graduado em psicanálise, do Hospital Samaritano de São Paulo.

A origem do problema está no cérebro, na comunicação entre os neurônios. Imagine que, no espaço entre eles, há substâncias batizadas de neurotransmissores — como a serotonina — responsáveis por conduzir os impulsos elétricos entre os neurônios. Por motivos genéticos, excesso de estresse ou ansiedade, entre outros fatores, a disponibilidade dessas substâncias fica insuficiente, gerando uma espécie de curto-circuito.

Esse descontrole, por sua vez, desequilíbria a liberação de hormônios como o cortisol e adrenalina, que têm a função de nos deixar em estado de alerta, diante de situação de ameaça. Na crise de pânico, esse mecanismo dispara sem motivo aparente, podendo elevar os batimentos cardíacos, a pressão arterial e acelerar o organismo como um todo.

Vale ter em mente que episódios como separação ou perda de um ente querido podem precipitar essas crises. O pior de tudo é que, como os sintomas se confundem com os de outras doenças, os pacientes chegam a peregrinar por mais de dez consultórios médicos, até receberem o diagnóstico correto.

O que fazer?
O primeiro passo é garantir sua segurança. Se estiver dirigindo, estacione e chame um táxi. O ataque de pânico pode alterar sua percepção de tempo espaço. Tente inspirar e expirar lentamente, diminuindo o ritmo da respiração.

A providência seguinte é entrar em contato com seu médico ou procurar um serviço de emergência.

“Normalmente, mensuramos a oxigenação no sangue, por meio de um aparelho chamado oxímetro e solicitamos um eletrocardiograma, para avaliar os batimentos cardíacos”, explica o Dr. Valdenir. Desta forma, é possível descartar problemas respiratórios, como asma, e cardíacos, como infarto.

Os especialistas podem, ainda, solicitar exames de sangue para analisar a função da tireoide e a taxa de glicose, já que algumas disfunções na glândula e hipoglicemia — queda dos níveis de açúcar — podem ter sintomas semelhantes aos do pânico.

Outra medida comum, adotada pelos médicos, é a prescrição de tranquilizantes, com o intuito de reverter o desconforto. “A boa notícia é que o ataque costuma durar alguns segundos ou minutos e, dificilmente, se prolonga por horas”, tranquiliza Tofolo.

E depois?
Não é nada prudente esquecer o assunto quando os sintomas regredirem. O medo de uma nova crise pode fazer com que ela, de fato, ocorra, tornando o processo crônico. Uma das complicações mais comuns do pânico é a agorafobia, que é o medo de sair sozinho ou de transporte coletivo, por exemplo, e que chega a se manifestar em até 40% dos pacientes. A depressão aparece em cerca de 40% a 80% desses indivíduos.

Portanto, o ideal é consultar um psiquiatra o quanto antes. Ele vai considerar o histórico familiar e de vida, a ocorrência de episódios traumáticos, capazes de desencadear o distúrbio, e o relato dos sintomas para definir o tratamento.

Em grande parte das vezes, os médicos recomendam o uso de antidepressivos em doses baixas, já que eles são capazes de regular os níveis de neurotransmissores, aquelas substâncias cuja carência está por trás da disfunção. Se for o caso, confie no profissional e faça o tratamento direitinho, levando em conta que ele pode demorar até 20 dias para começar a surtir efeito.

“E, por mais assustadora que possa ser uma crise de pânico, o paciente deve ter a certeza de que ela não é perigosa, que ele não vai morrer nem ficar louco, embora essa pareça ser a conclusão mais óbvia”, complementa o Dr. Valdenir Tofolo.

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