A imagem mostra um paciente mais velho conversando com um médico.

Próstata: por que vigiar essa glândula

16/11/2017 - 4 minutos de leitura

A detectação precoce do câncer de próstata assegura uma chance de cura superior a 90%. Descubra em que momento da vida os homens precisam rastrear a doença.

O câncer de próstata é a segunda principal causa de morte masculina, por câncer, no Brasil. Só em 2016, foram mais de 13 mil óbitos por conta da doença, segundo o Instituto Nacional do Câncer.

Esse desfecho trágico poderia ser evitado se a alteração fosse descoberta no início. O problema é que, na maioria das vezes, ela só provoca sintomas em estágio avançado. Essa é uma das razões pelas quais cerca de 20% dos homens só descobrem a enfermidade nessa fase.

No começo, as chances de cura se aproximam de 100%, mas elas caem para 39% quando o tumor já se disseminou para outros órgãos. A saída, portanto, é se antecipar a essa doença silenciosa, investigando a saúde da glândula quando o paciente ainda não sente nada.

Pra que serve a próstata, afinal?

Ela é uma pequena glândula, que pesa cerca de 20 gramas e se localiza na pelve masculina. Mais precisamente, fica dentro da bacia, abaixo da bexiga e vizinha do reto, de ossos da região e de um anel muscular chamado esfíncter, que controla o fluxo urinário. “Sua função é produzir o líquido seminal — aquele que transporta os espermatozoides durante a ejaculação”, esclarece o urologista Raphael Rocha, do Americas Medical City, no Rio de Janeiro.

A tendência é que o tecido desse órgão cresça com o avançar da idade. E tudo bem, se isso acontecer de uma forma organizada, caracterizando a chamada hiperplasia prostática benigna. “Essa condição não é fator de risco para o câncer. Na pior das hipóteses, pode provocar frequência aumentada, dificuldade e ardência para urinar, o que requer uso de medicamentos ou cirurgia, em determinados casos”, explica o médico.

O que preocupa é quando esse crescimento da próstata acontece de maneira desordenada, com capacidade de se disseminar para outros órgãos. É isso que dinstingue o câncer de um simples quadro de hiperplasia.

Nem todos os tumores de próstata exigem tratamento — alguns só precisam ser acompanhados. No entanto, há condições mais agressivas, que precisam ser descobertas o quanto antes, a fim de que o tratamento possa barrar sua progressão antes que se espalhe.

Para flagrar o câncer

Afinal, quem precisa checar, periodicamente, a saúde da próstata? “A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que todos os homens com mais de 50 anos passem por consulta preventiva com um urologista, que irá determinar os exames a serem realizados, a partir de uma conversa com o paciente.

Homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata precisam antecipar o rastreamento para os 45 anos de idade, devido a uma maior propensão em desenvolver a doença. “Há estatísticas de que os negros têm um risco 60% maior. E, entre os que apresentam a enfermidade, ela costuma ser duas vezes mais letal”, justifica o Dr. Raphael Rocha.

Já no que se refere à genética, ela está envolvida em 15% das ocorrências de câncer de próstata. “O alerta vale principalmente para homens cujos parentes de primeiro grau tiveram o problema, sobretudo se foram diagnosticados mais jovens”, reforça o médico.

A lógica dos exames

Durante a consulta, o urologista vai ponderar fatores de risco, histórico do paciente e o exame físico para determinar os tipos e a periodicidade dos exames. Ele pode prescrever dois testes específicos:

Dosagem de PSA: a sigla corresponde a uma substância responsável por tornar o sêmen mais fluido, facilitando sua função de carregar os espermatozoides. Quando há um tumor na glândula, seus níveis aumentam no organismo. Por isso, dosá-la no sangue é uma aternativa para rastrear a doença. No entanto, vale considerar que a alteração também pode ser decorrente de infecções, cirurgias prévias ou outros fatores. Por isso, o exame não é suficiente para confirmar ou descartar o diagnóstico de câncer. Mesmo assim, ele é importante no rastreamento.

Toque retal: a próstata é bastante acessível pelo reto e, ao examinar a zona periférica da glândula, o médico consegue identificar boa parte dos tumores. “Aproximadamente, 18% dos diagnósticos são feitos a partir do toque retal”, confirma o Dr. Raphael Rocha. Por isso, segundo ele, a prescrição do exame é mais do que necessária.

Ressonância magnética: ela é um recurso complementar, que não só ajuda a confirmar suspeitas de exames anteriores como prediz o potencial de agressividade do tumor. Ele também contribui com a decisão sobre realizar ou não uma biópsia, que é um procedimento invasivo e, por isso, deve ficar restrita aos casos de real necessidade. “Nós só realizamos biópsia quando, de fato, há probabilidade de o problema ser maligno”, justifica o especialista.

De qualquer forma, as estatísticas mostram que o paciente pode ter esperança, independentemente dos resultados. “ A taxa de sobrevida em 10 anos para os tumores de baixo risco chega a 98%. Mesmo no grupo de alto risco, as perspectivas são animadoras e o percentual é de 87%”, conclui Raphael.

Logo do Americas Serviços Médicos
Autor Americas Serviços Médicos

O mais moderno Grupo Médico-Hospitalar do país.