Imagem com texto 'superar o câncer é mais fácil se tiver com quem contar'.

Quem tem câncer precisa de apoio

02/02/2018 - 3 minutos de leitura

A afirmação tem respaldo científico. Contar com suporte social ao enfrentar a doença, de fato, contribui com a recuperação. Essa é uma das bandeiras da campanha do Dia Mundial do Câncer 2018. Venha ver como é possível trazer essa realidade para a prática do dia a dia

Não restam dúvidas de que o apoio social tem um impacto positivo enorme na saúde de quem enfrenta um câncer. Só para citar um exemplo, uma pesquisa conduzida por universidades norte-americanas, como a da California, comprovou que o suporte emocional e a qualidade das relações estão diretamente associados às chances de sobrevida, em mulheres com tumor de mama.

As razões são muitas. Primeiro que o afeto aumenta a autoestima e o bem-estar, diminuindo os riscos de ansiedade, depressão e estresse excessivos, associados à própria doença. E a ciência já está cansada de saber que o estresse boicota o sistema imunológico e o tratamento, diminuindo sua eficácia.
Outro motivo é que a rede de relacionamentos favorece a adesão às terapias, já que o paciente tem alguém para cuidar dele e levar a uma sessão de radioterapia, por exemplo.

E, há, também, o fato de que as interações sociais proporcionam mais acesso à informação. Ao compartilhar experiências em um grupo de apoio, por exemplo, uma pessoa pode descobrir uma possibilidade terapêutica que funcionou bem para outros pacientes.
Mas, trata-se de uma via de mão dupla — se cabe à sociedade oferecer ajuda, quem precisa também tem a tarefa de pedir. E é isso que o Dr. Ronaldo Silva, oncologista e sanitarista do Americas Centro de Oncologia Integrado, ensina a seguir — a quem recorrer para dispor do auxílio necessário, sem precisar enfrentar o câncer sozinho.

Para quem devem pedir ajuda os pacientes que não têm familiares próximos?

Há muitas possibilidades: amigos, membros de uma associação comercial, esportiva ou religiosa a que o indivíduo seja vinculado, um colega de trabalho que tenha enfrentado o mesmo problema na família e se solidarize. Toda contribuição é válida, seja para desabafar, trocar experiências e compartilhar decisões de tratamento ou para servir de companhia em uma consulta médica ou sessão de tratamento. Os serviços de assistência social dos hospitais também costumam ser úteis — por exemplo, para promover um resgate afetivo entre parentes afastados, se esse for o desejo deles. Existem, ainda, os grupos e associações de pacientes, sempre dispostos a acolher e oferecer apoio.

Quais são os benefícios de contar com uma rede de amparo?

Uma pessoa querida e bem cuidada tende a manter padrões mais adequados de sono, higiene e alimentação. Isso tudo ajuda a afastar possíveis complicações do câncer e do tratamento, como as infecções. Em uma consulta médica, o nervosismo pode atrapalhar a compreensão sobre os cuidados com curativos ou o uso de medicamentos, por exemplo. Se alguém estiver junto para interpretar as orientações e repassá-las depois, as chances de sucesso nos procedimentos será maior. Sem contar que, muitas vezes, o paciente não tem como se deslocar sozinho para realizar exames ou sessões de quimioterapia. Pense, também, na relevância de ter companhia durante uma internação hospitalar. Contar com pessoas em quem se confie faz muita diferença.

E do ponto de vista emocional?

Esses relacionamentos podem significar a possibilidade de compartilhar a tomada de decisões terapêuticas e a oportunidade de adquirir mais recursos de enfrentamento. É só pensar que quem já superou um câncer e conhece as etapas desse desafio pode dar um direcionamento valioso para uma pessoa que esteja passando pelo mesmo problema. Por fim, sabemos que um indivíduo que se sente querido, amado e sabe que há pessoas interessadas no bem-estar dele tende a ser mais resiliente ou resistente.

Retornar ao trabalho, o mais breve possível, é aconselhável?

Sim, isso contribui com o sentimento de pertencimento e utilidade. É claro que, antes, é preciso obter liberação médica. Mas, se estiver tudo ok, vale conversar com a área de recursos humanos da empresa e com o gestor sobre a possibilidade de adequar as tarefas às suas condições, flexibilizar a rotina de trabalho ou até negociar um esquema de home office.

E a atividade física?

Depende do tipo de câncer e das condições clínicas individuais. Mas, há muitos casos em que o exercício não só é liberado como aumenta as possibilidades de recuperação. A atividade física ainda proporciona oportunidades valiosas de interação social.

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