imagem de uma radiografia bucal.

Saúde bucal e doenças do coração

18/05/2018 - 3 minutos de leitura

Duas áreas do corpo aparentemente tão distintas guardam uma relação importante: as mesmas bactérias que entram pela boca circulam pelo corpo e podem ir parar no coração, gerando uma infecção grave. Venha entender mais

A boca é a porta de entrada do organismo. Por ela, circula uma infinidade de bactérias, como as que provocam cáries, cálculo dentário (mais conhecido como tártaro), gengivite e doença periodontal — aquela que afeta a parte óssea, podendo levar à perda dos dentes.

Acontece que os mesmos micro-organismos que vivem por ali viajam pelo corpo inteiro, por meio do sangue, e têm uma predileção pelo endotélio, o tecido que reveste os vasos sanguíneos e o coração.

“Se a pessoa estiver com a imunidade baixa, apresentar uma doença cardíaca de base ou um dano no tecido cardíaco, há um alto risco de desenvolver um quadro chamado de endocardite bacteriana, uma infecção grave no coração, em decorrência de uma infecção bucal”, alerta a Dra. Renata de Paula Sgarioni, cirurgiã bucomaxilofacial e coordenadora do departamento de odontologia do Hospital Alvorada Brasília. “Há, também, estudos que mostram que a doença periodontal tem papel importante na formação de placas (aterosclerose), capazes de levar a um infarto.”

O problema é que, muitas vezes, as doenças dentárias não provocam sintomas e passam despercebidas, tornando-se um perigo silencioso. “Quando o canal de um dente é comprometido a ponto de levar à morte de sua polpa, por exemplo, a pessoa não sente mais dor, embora a ameaça continue ali”, confirma a especialista.

Por isso, via de regra, todo mundo deve consultar um dentista a cada seis meses, a fim de realizar um check-up, incluindo a inspeção da gengiva, com eventual raspagem do cálculo, a verificação dos dentes, em busca de cáries, a avaliação da salivação, para checar se está adequada e para a realização da limpeza de rotina.

Quem sofre de qualquer doença cardiovascular, como malformações, insuficiência cardíaca, histórico de substituição de uma válvula do coração ou infarto prévio, precisa manter um acompanhamento mais rigoroso. “O ideal, nesses casos, é que a pessoa procure um dentista assim que for diagnosticada e que as consultas sejam mais frequentes, a cada três ou quatro meses, a critério do especialista”, sugere a Dra Renata.

Esses indivíduos também requerem alguns cuidados durante o tratamento bucal, como o uso de um antibiótico, antes de uma intervenção mais invasiva, de um ansiolítico, se estiverem muito apreensivos, além do cuidado de não utilizar o motor ultrassônico e eletrocautério, caso eles tenham marcapasso, pois há o risco de interferência desses aparelhos no dispositivo.

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