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Saúde de bebês prematuros requer cuidados especiais

17/11/2017 - 4 minutos de leitura

Vir ao mundo antes da hora significa que a criança ainda não atingiu seu pleno amadurecimento, o que, às vezes, implica em suscetibilidade a alguns problemas. Mas é possível aumentar as chances de um desenvolvimento integral. Veja como:

Um acompanhamento rigoroso dos bebês prematuros é fundamental para que eventuais complicações sejam detectadas e tratadas rapidamente, garantindo que o recém-nascido se desenvolva a contento.

A boa notícia é que o monitoramento impacta em menores taxas de hospitalização e infecções nos primeiros anos de vida, melhores índices de crescimento, neurodesenvolvimento, aprendizado escolar, além de inserção social na vida adulta, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Antes de mais nada, é importante entender que, quanto mais antecipado for o parto, maior será a imaturidade e, consequentemente, a vulnerabilidade da criança. Para dimensionar os riscos, a SBP classifica a prematuridade da seguinte forma:

Pretermo: nascimento anterior a 37 semanas
Pretermo tardio: entre 34 semanas e 0 dias e 36 semanas e 6 dias
Pretermo moderado: 32 semanas e 0 dias e 33 semanas e 6 dias
Muito pretermo: 28 semanas e 0 dias a 31 semanas e 6 dias
Pretermo extremo: menor que 28 semanas e 0 dias.

O peso ao nascer também influencia nas perspectivas do recém-nascido. Por isso, os especialistas consideram que as crianças com menos de 1500 g necessitam de um cuidado mais intensivo. E isso deve ir muito além das intervenções na UTI neonatal, com acompanhamento que deve prosseguir até a idade escolar.

Levando isso em conta, veja quais são as medidas que fazem a diferença para o futuro dos bebês prematuros:

Na maternidade: uma equipe multidisciplinar deve avaliar: crescimento; neurodesenvolvimento; problemas comportamentais e de vínculo; ocorrência de problemas neurológicos, como convulsões e distúrbios de deglutição; saúde ocular e auditiva (a prematuridade aumenta os riscos de deficiência auditiva e alteração na retina, que pode levar à cegueira se não identificada corretamente); amamentação e condições nutricionais; presença de hérnia umbilical (que ocorre em 80% dos prematuros) e de afecções da pele, como conjuntivite ou dermatite; posição dos testículos, no caso dos meninos; e eventuais malformações congênitas. O peso, o comprimento e o perímetro cefálico (medida da circunferência da cabeça) também precisam ser registrados, para monitoramento posterior e verficação dos padrões de normalidade. Por fim, as vacinas precisam ser atualizadas conforme a idade cronológica, salvo a BCG, que só deve ser aplicada quando a criança atingir dois quilos de peso. A SBP também recomenda a imunização com palivizumabe, vacina que protege do vírus sincicial respiratório, capaz de provocar bronquiolite — doença respiratória que pode levar à internação e à qual os recém-nascidos prematuros são mais suscetíveis. Vale se informar sobre o momento mais adequado para a primeira dose.

No consultório: a SBP orienta que a primeira consulta com um pediatra ou neonatologista ocorra de 7 a 10 dias após a alta hospitalar. Depois, é preciso retornar mensalmente até os 6 meses, bimestralmente, até um ano de idade corrigida (contada a partir da data idealmente prevista para o parto) e trimestralmente, até os dois anos. A partir dessa idade, os retornos passam a ser semestrais e, dos 4 anos até a puberdade, tornam-se anuais. Cabe aos pais informar, ao profissional, a idade corrigida da criança. Para calculá-la, basta somar a semana gestacional de nascimento ao número de semanas fora do útero. Se o bebê nasceu há duas semanas, ao completar 30 de gestação, considera-se que ele tenha 32 semanas de idade corrigida.
Além dos parâmetros de peso, comprimento e perímetro cefálico, o médico deve acompanhar a evolução do tônus muscular (sustentação do pescoço e do tronco, principalmente) e da coordenação motora, os reflexos, os movimentos oculares, as reações a estímulos auditivos e visuais, e alterações de comportamento, como apatia ou irritabilidade excessivas. O desenvolvimento da linguagem, da cognição e o sensorio-motor também precisa ser acompanhado de perto, sobretudo até os 2 anos de idade.

Em casa: dedicar-se ao máximo para manter o aleitamento materno é uma missão importante para os pais, já que favorece o desenvolvimento, o vínculo e a prevenção de infecções, pois o leite materno é rico em anticorpos.

Considerando que os prematuros têm a imunidade mais frágil, é necessário redobrar os cuidados com a higiene de seus utensílios, evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas, manter a casa arejada e lavar bem as mãos antes de pegar o bebê. Outro cuidado importante se refere à prevenção de morte súbita, mais frequente entre prematuros. O ideal é colocar a criança para dormir em seu próprio berço, no quarto dos pais, com a cabeça descoberta e os pés encostados no berço, sem travesseiros e cobertores com muito volume.

A administração de polivitamínicos prescritos pelo médico deve ser seguida à risca, a fim de prevenir anemia e problemas ósseos, entre outros.
Por fim, tenha em mente que ninguém conhece melhor o próprio filho do que os pais. Por isso, não hesite em consultar um fonoaudiólogo, neuropediatra ou outros profissionais, caso note problemas de linguagem, aprendizado, coordenação motora, bem como alterações físicas e metabólicas, por exemplo.

Consultoria: Dra. Teresa Uras, coordenadora da UTI neonatal do Hospital Samaritano, uma das unidades do grupo Americas capacitadas para atender casos de alta complexidade, como os que requerem reabilitação intestinal e cirurgia cardíaca.

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