A imagem mostra uma garotinha brincando na areia.

Saúde infantil: como evitar as doenças de pele no verão

18/12/2018 - 5 minutos de leitura

Conheça as principais precauções para afastar queimaduras, dermatites e lesões cutâneas, causadas por fungos e bactérias
 
O verão favorece a ocorrência de doenças de pele por vários motivos: o contato com a areia da praia e dos parques, que pode abrigar micro-organismos nocivos; a exposição prolongada à umidade do mar e da piscina; o sol, o suor excessivo, os banhos mais frequentes e até mesmo o uso de protetores solares e repelentes, capazes de deixar a pele mais vulnerável — especialmente a das crianças, que tende a ser mais sensível. Para aproveitar as férias sem chateação, é importante conhecer as ameaças mais frequentes e saber como contorna-las. Dê uma olhada: 
 
 
Dermatites de contato 

Se a criança for alérgica a determinados agentes, eles podem promover uma inflamação ao entrar em contato com a pele. Geralmente, ela fica restrita à uma região, como a das fraldas ou de maior transpiração, como virilha e axilas.

Dermatites atópicas 

Algumas doenças de pele pioram com o calor e o suor, como as dermatites atópicas, de caráter genético. Elas se caracterizam por uma pele seca e áspera, suscetível a erupções que coçam e inflamam, sobretudo nas dobras dos braços e na parte posterior dos joelhos. A exposição solar adequada (fora dos horários de pico e em dias de temperatura amena) ajuda a amenizar o quadro.

Dermatites seborréicas 

Também de caráter genético, ocorre em regiões oleosas do corpo, como a face, as sobrancelhas, as orelhas e o couro cabeludo.São extremamente frequentes nos bebês e pioram no verão, formando áreas de vermelhidão e descamação. Geralmente, alternam períodos de exacerbação e de melhora. Shampoos, cremes e loções podem ser utilizados no intuito de diminuir a coceira.

Parasitoses 

O contato com parasitas presentes na areia ou em gramados, provenientes de fezes de animais, também pode provocar doenças, principalmente nas regiões mais expostas, como pés e nádegas. Um exemplo é o bicho geográfico, ou tecnicamente, larva migrans, que entra pela pele e ”caminha” por ela, deixando um rastro vermelho. O tratamento deve ser feito com pomadas específicas, à base de tiabendazol. 

Infecções fúngicas 

A umidade decorrente do suor e do uso de roupas de banho molhadas é uma condição propícia à proliferação de fungos causadores de infecções, como frieiras nos dedos dos pés, ptiríase versicolor (manchas brancas, principalmente no rosto e nos braços), impingem (erupção da pele, com contorno elevado e avermelhado) e candidíase genital. Os sintomas são coceira, dor local, secreção esbranquiçada e ardência. O tratamento é feito com pomadas e cremes antifúngicos, além do cuidado de manter a região seca.

Desidratação e queimaduras de pele

A exposição excessiva da pele ao sol pode causar desidratação e queimaduras mais graves, com lesões importantes. O contato com o caldo de frutas ácidas, como o limão, também predispõe a lesões e manchas escuras, que não têm tratamento mas costumam desaparecer com o passar do tempo. Se a exposição for muito intensa, com desconforto local e/ou e mal-estar geral, o ideal é procurar um médico para tratamento adequado.

Picadas de insetos

Além de provocar dor e coceira na região afetada, pode acontecer uma reação alérgica à distância, chamada estrófulo, caracterizada por lesões semelhantes à picada inicial, espalhadas pelo corpo. O tratamento é realizado com antialérgicos tópicos e sistêmicos, que devem ser prescritos por um médico. Coçar a pele favorece a contaminação por bactérias capazes de desencadear infecção local, piorando a situação. Nestes casos, antibióticos podem ser necessários e a consulta médica é essencial.

Veja como proteger as crianças no verão dos seguintes agentes agressores: 

Sol: a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) não recomenda o uso de protetor solar e a exposição direta ao sol antes dos seis meses de idade. Essas crianças devem ser mantidas à sombra, com roupas leves. Caso seja necessário sair ao ar livre, vale recorrer a protetores mecânicos, como sombrinha, guarda-sol, boné e roupas. Nas crianças de seis meses a dois anos, indica-se usar produtos apropriados à pele infantil e com alto fator de proteção, como filtros inorgânicos (físicos), pela menor capacidade de provocar alergias, alta resistência à água e proteção imediata. A partir dos dois anos, o ideal é utilizar filtros químicos infantis, os protetores solares. Quanto mais elevado o índice UV, maior a proteção. Há diversas marcas de produtos no mercado, indicados para diferentes idades e propósitos. 

O mais importante é evitar a exposição direta e excessiva, nos horários de maior incidência de raios nocivos à pele (entre 10h e 16h). Além do protetor solar, o suporte oferecido por roupas, chapéus, bonés e óculos com proteção UV também é bem-vindo, sempre lembrando que eles não protegem todo o corpo. Segundo a SBP, o náilon, a seda e o poliéster têm maior fator de proteção do que o algodão, a viscose, o rayon e o linho. As colorações escuras aumentam a proteção em até cinco vezes. Já as roupas molhadas perdem metade do FPS. 

Também vale observar a superfície do local de exposição. A grama, a areia úmida e o asfalto refletem entre 1% a 5% os raios UV, enquanto superfícies como a neve fresca podem refletir mais de 90%. 
Por fim, lembre-se de manter a hidratação do corpo, com consumo frequente de água, e da pele, com o uso de loções e cremes apropriados para a idade da criança, após a exposição solar. 


Minimize o risco

Solo potencialmente contaminado (areia, gramados etc.): Use esteiras e calçados para minimizar o contato da pele com a superfície.

Frutas ácidas: evite oferecer suco de frutas ácidas, como o limão e o abacaxi, quando a criança estiver ao sol. 

Picadas de inseto: aplique repelente para prevenir picadas — e doenças, como a dengue e a febre amarela. 

Umidade: reduza o tempo de permanência com peças molhadas, secando a criança com uma toalha e trocando suas roupas após o banho de mar ou piscina.

Animais marinhos: em caso de queimaduras provocadas pelo contato com água-viva ou ferimentos causados por animais, lave o local e procurar atendimento médico imediato. 

Fontes: Dra. Patricia Rondinelli, chefe da enfermaria da pediatria do Hospital Vitoria, e Dra. Bianca Grassi de Miranda, infectologista do Hospital Samaritano Higienopolis.

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