Imagem de um paciente sendo atendido por uma médica.

Tratamento da dor em oncologia

08/10/2018 - 4 minutos de leitura

Controlar o sofrimento físico do paciente é muito importante para garantir qualidade de vida. Saiba mais

A dor pode ser o primeiro e único sintoma do câncer e pode ser sentida em todos os estágios da doença. Suas causas podem estar relacionadas ao próprio tumor e ao tratamento com cirurgias, radioterapia e quimioterapia. De acordo com a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, estima-se que cerca de 1/3 dos pacientes oncológicos curados a apresentarão na forma crônica. Por isso, além de fazer parte do tratamento, o seu controle é muito importante para garantir qualidade de vida ao paciente.

Tipos de dor e intensidade  -  Em geral, ela surge devido à progressão da doença e sua intensidade pode variar com o tipo de tumor e com a tolerância do paciente.

Câncer no osso  -  No Brasil, a metástase óssea — a disseminação do tumor para os ossos — é a doença que mais leva mais pacientes a buscar tratamento na Clínica de Dor do Americas Oncologia, por sua forte intensidade. Entre as mulheres, devido ao câncer de mama, e nos homens, de próstata. O tratamento visa controlar o câncer e os ossos afetados e pode ser feito com a remoção do tumor, com medicamentos ou cirurgia.

Dor intensa  -  Ela costuma ocorrer nas seguintes situações: no pós-operatório e em algumas cirurgias de modo geral, considerando que, às vezes, as cirurgias oncológicas são de grande porte (por exemplo, de tórax e abdômen); na quimioterapia, em alguns pacientes, nos primeiros dias de tratamento e, durante todo o ciclo; na ocorrência de mucosites (inflamações na mucosa da boca e do intestino), podendo impedir a alimentação e a comunicação, em alguns casos, especialmente após a radio e a quimio; e, após a radioterapia, especialmente na cabeça e pescoço.

Tratamentos  - Alguns tipos de doenças oncológicas e tratamentos podem afetar o sistema nervoso e causar dor neuropática. Além de matar as células cancerígenas, a quimioterapia e a radiação da radioterapia são potencialmente tóxicas para algumas células do corpo e podem causar lesões nas mucosas, desde a boca até o reto.

Dor crônica  -  Esta pode ser uma das conseqüências de sobreviver ao câncer, por conta das sequelas do tratamento e do próprio tumor. Por exemplo, um paciente que teve câncer de pulmão e operou o tórax para a retirada do tumor de um dos pulmões, mesmo curado pode senti-la na forma crônica. E, à medida que envelhece, o paciente oncológico pode ter todas as dores que são comuns à população em geral, como lombalgia e artrose, simultaneamente às causadas pelo câncer.

Tratamento

Como as causas da dor podem variar muito, elas devem ser analisadas individualmente e desde o início, para evitar que piorem. O paciente deve ter acesso a um tratamento analgésico individualizado, planejado por uma equipe multiprofissional, em parceria com o oncologista. Existem várias técnicas disponíveis, como bloqueios analgésicos/anestésicos, neurocirurgia, fisioterapia, acupuntura, implante de aparelhos analgésicos, confecção de órteses e próteses. Em uma escala, avalia-se se a intensidade e natureza do sofrimento físico e sua resposta aos tratamentos. Nos pacientes com dores crônicas, o apoio biológico, psicológico, espiritual e social também pode ajudar a enfrentar o sofrimento.

Uso de analgésicos — Uma diretriz utilizada é a Escada Analgésica, elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1986, que recomenda, com base na severidade da dor e da eficácia dos analgésicos, a adoção dos seguintes passos:

Degrau 1: Leve - Usar analgésicos não opiáceos (acetaminofeno ou drogas anti-inflamatórias não esteroidais, AINH), que, em geral, podem ser comprados sem receita médica;

Degrau 2: Moderada - Se a droga não opiácea, dada na dose e freqüência
recomendada não proporciona alívio, se introduz um opióide fraco (codeína ou tramadol);

Degrau 3: Intensa - Se o tratamento com os analgésicos do passo 2 for ineficiente, devem ser prescritos medicamentos opióides fortes (morfina, hidromorfina, oxicodona, fentanil ou metadona). Segundo a OMS, o padrão ouro para o tratamento da dor no câncer é a morfina, pois é um medicamento barato e acessível.

Procedimentos intervencionistas - Em geral, são feitos por médicos anestesistas especializados. Um exemplo é o bloqueio dos nervos no tratamento do câncer de pâncreas. Por estar localizado numa região que tem muitos nervos, este é um tipo de câncer que causa muito sofrimento físico. O bloqueio dos nervos é um procedimento que leva 15 minutos e é parecido com o tratamento de canal dentário. Os nervos que estão doendo são neutralizados por meio de uma punção, com bloqueio neurolítico dos nervos esplâncnicos ou do plexo celíaco, guiado por raio x ou tomografia. Outras formas de tratamento de dor são os implantes de cateteres de analgésicos por bombas infusoras, procedimentos que, geralmente, são feitos no hospital porque precisam ser localizados por tomografia ou raio X e exigem internação de curta permanência.
Métodos não farmacológicos — A medicina integrativa preconiza que se o paciente estiver bem nutrido, com peso controlado, saúde bucal em dia, recebendo apoio emocional e cuidados de enfermagem (curativos e pós-operatório), com saúde e energia para manter-se ativo e, consequentemente, para enfrentar o câncer.

Fonte: Dr. Paulo Renato B. da Fonseca, Coordenador do Serviço de Anestesiologia e Clinica de Dor do Americas Oncologia.

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